sábado, 23 de julho de 2016

A Lagosta

De vez em quando tenho a felicidade de ver um filme extraordinário. Foi assim com "A Lagosta" ontem à noite, de Yorgos Lanthimos. 


Um exercício criativo brilhante, um mergulho lento em profundidade. Uma experiência com vários sabores, de digestão prolongada... Belo, misterioso, intenso, incomodativo, intrigante, é um pesadelo perfeito (no melhor dos sentidos).

Uma daquelas obras de arte que ficam a viver em ti, a transformar-se e a libertar vislumbres interiores progressivamente. Uma alegoria platónica reinventada para um Romeu e Julieta, numa versão bem bizarra... mas muito próxima de realidades que nos são familiares... revisitando a eterna questão do que significa mesmo viver em liberdade.

É uma espécie de conto de fadas sombrio, repleto de simbolismos, capaz de nos agrilhoar uma perna, ou cortar-nos os lábios, escorrendo sangue com um sabor inconfundível a verdade. Provocador, corajoso e consistente até ao fim.
Para além da violência e do absurdo de que se reveste, há uma beleza que subjaz numa dimensão invisível, que não cresce na Cidade, nem no Hotel, nem na Floresta, nem no Barco... todos cenários de terror, mas sim naquela substância dentro dos protagonistas, aquela substância universal que todos reconhecemos, a que podemos chamar Amor... aquilo que é capaz (e não é fundamental que assim seja?) de tornar o ser humano num verdadeiro rebelde.
Assim é, essa beleza que se capta e se escreve nas entrelinhas destes cenários desconfortantes, numa dimensão invisível, supra-sensível.
Talvez por isso no final, a cegueira, a escuridão. A escuridão de fora que também é um virar para a luz de dentro. Uma morte para os mundos físicos exteriores, de hipocrisia, falsidade e opressão. Mundos cegos, onde quem tem amor, é rei.

domingo, 20 de março de 2016

A door opens




“A door opens. Maybe I’ve been standing here shuffling my weight from foot to foot for decades, or maybe I only knocked once. In truth, it doesn’t matter. A door opens and I walk through without a backward glance. This is it, then, one moment of truth in a lifetime of truth; a choice made, a path taken, the gravitational pull of Spirit too compelling to ignore any longer. I am received by something far too vast to see. It has roots in antiquity but speaks clearly in the present tense. “Be,” the vastness says. “Be without adverbs, descriptors, or qualities. Be so alive that awareness bares itself uncloaked and unadorned. Then go forth to give what you alone can give, awake to love and suffering, unburdened by the weight of expectations. Go forth to see and be seen, blossoming, always blossoming into your magnificence.”
Danna Faulds

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Isabelle

Amiga maravilhosa​!... Era Primavera há 8 anos atrás quando nos conhecemos aqui, no Alentejo, e desde logo nasceu esta amizade, que se foi fortalecendo mesmo à distância, entre partilhas nos nossos blogues, onde nos íamos revendo numa mesma forma de ser e estar na Vida, unidas na nossa paixão pela arte da fotografia e das palavras... pela arte de viver... pela contemplação de tudo o que vive dentro e fora de nós, por uma alegria de criança no peito, por um amor incondicional à vida.. 


Não cheguei a visitar-te nas tuas lindas montanhas, onde eras tão feliz.

E esta Primavera partiste.
E nestes dias fiquei, sem palavras.
Neste sentimento de 'sem ti'...
E senti.. senti... senti...
Que não há 'sem ti'.

Há sim, Rendição perante a Vida Morte Vida, esta misteriosa fronteira que nos é tão desconhecida...
Gratidão porque os nossos caminhos se cruzaram na Terra...
Alegria por saber que vives em cada um de nós, que tivemos o privilégio de te conhecer e de sermos tocados pela tua luz.

As palavras são tão imperfeitas para expressar tudo o que sentimos, toda a beleza que vemos no mundo, porque vive dentro de nós...
Como disse Rumi, o silêncio é a linguagem de Deus, tudo o resto é uma pobre tradução..

E contudo, também precisamos das palavras.
E ninguém as poderia escolher melhor do que o nosso profeta, Kahlil Gibran,
que aqui partilho hoje, em homenagem ao teu espírito imortal.

Gosto de te imaginar assim, no topo da montanha, a dançar e a cantar, na mais plena liberdade.



On Death

 Kahlil Gibran

You would know the secret of death.
But how shall you find it unless you seek it in the heart of life?
The owl whose night-bound eyes are blind unto the day cannot unveil the mystery of light.
If you would indeed behold the spirit of death, open your heart wide unto the body of life.
For life and death are one, even as the river and the sea are one.
In the depth of your hopes and desires lies your silent knowledge of the beyond;
And like seeds dreaming beneath the snow your heart dreams of spring.
Trust the dreams, for in them is hidden the gate to eternity.
Your fear of death is but the trembling of the shepherd when he stands before the king whose hand is to be laid upon him in honour.
Is the shepherd not joyful beneath his trembling, that he shall wear the mark of the king?
Yet is he not more mindful of his trembling?
For what is it to die but to stand naked in the wind and to melt into the sun?
And what is it to cease breathing, but to free the breath from its restless tides, that it may rise and expand and seek God unencumbered?
Only when you drink from the river of silence shall you indeed sing.
And when you have reached the mountain top, then you shall begin to climb.

And when the earth shall claim your limbs, then shall you truly dance.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

The magician



This is no news. Humans have known it for ages, for all time. That’s where stories of magic, spell and blessings come from.
The power of consciousness to generate matter. Religions attributed it to a Divine entity as a power above the common man. Science rejected it, only because it was not evolved enough to be able to prove it.
Yet all this separation is an illusion. This power is resting in each one of us, common mortals, as a shiny treasure waiting to be discovered, behind a secret door that we never cross, in a mysterious room we never dare to play in.
The fact is, we are creating our own reality. Every minute, every day. 
With or without awareness. 


The ultimate intelligence then, must be, to become our own fully empowered, perfectly Natural, magician!
A day will come, in an exercise of imagination, or should I say, I-magic-nation, when there will be nothing transcendent in this affirmation. Because we will have transcended by then, our self imposed mind limitations. We will truly own our thoughts, feelings and beliefs, as faithful systems of support of our most vital needs and aspirations. We will have dawned into the era of Homo sapiens magus. And 'super' will be inside nature, not above it.

If, as Arthur C. Clarke said, ‘Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic’, then, why shouldn't any sufficiently intelligent human, be the true sorcerer of his own destiny?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pequeno poema de Outono...

De regresso às aulas, em mais um belíssimo fim-de-semana do Curso de Pedagogia Waldorf... um desafio criativo que nos foi lançado na aula de Drama e um nariz entupido que não me deixava adormecer, fizeram nascer este pequeno poema. 


Cai a folha levezinha
vem pousar na minha mão
amarela, doiradinha
baila, gira... até ao chão.

Anda o vento a varrer
a subir em rodopio
fecho o fecho de correr
É Outono, já faz frio!

Não me quero constipar
sobem folhas pelo ar
num alegre farfalhar
e o lume a crepitar...
são castanhas a assar!

Queres provar? - Diz a mãe
Olha como cheiram bem!
Mas eu cheirar não consigo
Têdo-o-dadiz-etupido!

domingo, 19 de outubro de 2014

Toda a gente tem um anjo

Sir Galahad - The Quest of The Holy Grail, Arthur Hughes, 1870.

Toda a gente tem um anjo
Luísa Barreto

Toda a gente tem um anjo
Em quem pode confiar
Disseram-me que ao crescer
O Anjo vai-se esconder
E só vem se eu o chamar

Então, eu chamo o meu anjo
Chamo, chamo, sem parar
Mas mesmo assim ele só vem
Se eu me conseguir encontrar

Por isso eu fecho os olhos
Mas custa-me respirar
Sem saber se o anjo vem
Mas sabendo o que é amar

Eu sinto o trágico mundo
De homens morrendo a lutar
Por aquilo em que se enganam
Sem anjos para os guiar

E ponho-me a amar os homens
Nesse mundo a procurar
E engano-me com eles
Mas somos mais a tentar

Para a frente, para a frente
Que dentro há algo a cantar
O que está dentro é tão forte

No homem a caminhar

Que não há tempo a perder
À espera de um anjo a vir:
Eu tenho os pés nesta Terra
E tarefas a cumprir.

Eu faço parte do mundo.
É importante viver.
Sou companheiro de todos
Os que lutam por querer.

Que o mundo é feito p'ra amar
A vida, p'ra se tecer
E aquilo que eu Olhar
É posto por mim a Ser.

Não te percas no caminho.
Há sempre um fio a seguir.
Se queimares o que te prende
Novas forças vão surgir.

De dentro vem uma Luz
Que nos começa a aquecer.
Essa Luz virá p'ro mundo,
Temos que a fazer crescer.

Essa Luz é Olhar fundo
E nela posso sentir...

Repousa agora, descansa,
Fecha os olhos p'ra dormir.
E sorri para o teu Anjo:
Afinal, chegou a vir...

sábado, 20 de setembro de 2014

I am a dancing monk

Caspar David Friedrich - Der Mönch am Meer 

Some days ago, on a search around the 'three qualities' of my passionate journey into Nature, Art and Spirituality - I call them Contemplation, Creativity and Compassion - I opened a window to this curious online community and immediately found myself reflected in everything I read there.

This Manifesto is now printed, given my own touch of color and hanging in my wall.

So that is who I am on Earth. A monk. Aaaaah, now it all begins to make some sense.