quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um ano de vento nas papoilas


Por aqui, ao longo das estações de um ano, o vento soprou sobre as papoilas... e sobre todas as paisagens da alma, soltando letrinhas e emoções, borboletas esvoaçantes, marinheiras, emigrantes... porque um dia, eu quis...

... partilhar sem medo, dar o que tenho, o melhor que puder... em vez de o guardar em silêncio por achar que nunca o consigo exprimir tão bem quanto gostaria...

... disciplinar-me, comprometer-me, fazer, mergulhar, descobrir, tentar, insistir, corrigir, e só assim, melhorar...

... registar, olhar-me, recordar... sorrir, chorar, aprender, avançar...

... dar... e receber... e agradecer...

... a companhia nesta viagem.

(((Obrigada)))

domingo, 20 de dezembro de 2009

Yule, ou o meu Natal

Amanhã, 21 de Dezembro, é o dia mais curto... e segue-se a noite mais longa do ano.

Apetece-me recordar o magnífico presente que recebi dos ceús, exactamente no solstício de Inverno do ano passado. O mais belo pôr-do-sol que pude até hoje contemplar. Um presente de Natal verdadeiramente Divino!

(Praia das Furnas, 21 de Dezembro de 2008)

Yule, a festividade do Solstício de Inverno, que marca, no calendário celta, o ponto médio da estação fria, é a celebração do renascimento do Sol, com origem na velha palavra Nórdica Jul, que significa Roda de Fogo. A noite mais longa ficará para trás... dando à luz dias cada vez mais longos. Tocámos o extremo e de novo caminhamos para o equilíbrio. É a lição do Sol.

Para mim, que nasci na antípoda deste dia, no solstício oposto - o do Verão - este momento marca especialmente, o início do regresso.

Pois o Yule... é o Natal pagão original, que foi posteriormente cristianizado e mais recentemente "comercializado" (a mais moderna das religiões...)

Os rituais modernos que hoje conhecemos, associados ao dia de Natal, remontam na verdade, a costumes pagãos que datam da era pré-cristã e eram então, bem repletos de significado.

A tradição de decorar árvores de Natal, por exemplo, desenvolveu-se a partir dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore são, originalmente, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na Árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Na festa do Natal, as histórias de antepassados são recordadas, os laços entre os presentes são fortalecidos, a identidade da família é nutrida.




No Yule, encontro o verdadeiro e simples Natal, o único que me faz sentido.

O meu Natal é a celebração do amor que une uma família, o mesmo amor que tem em si o poder de unir também uma comunidade humana maior. Para esse Amor maior, a nossa família de nascimento é, sem dúvida, o mais precioso e incontornável modelo: a primeira e mais poderosa escola natural que nos abre portas para o mundo e para dentro de nós. É aí que tudo começa, tudo nasce. O verdadeiro e simples Natal é uma festa de luz e calor humano, no meio da longa noite escura, recordando o amor como a primordial lição e celebrando a nossa eterna ligação aos ciclos da Mãe natureza, a fonte inesgotável da esperança. Este é o meu Natal.

E assim entramos "oficialmente" no Inverno, que é já, e sempre, uma inevitável promessa de Verão...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Um dia bom







Um dia bom.

Caminhar pelas pedras, saltar ribeiras, apanhar mirtilos, púcaras, bogalhos e raminhos, folhas de todos os tons de verde, castanho, vermelho e amarelo... dourado!

O cheiro do mato que fica na roupa e no cabelo... a paz que fica dentro de mim.


Um almocinho de petisco à minha espera, migas de púcaras à alentejana, fez a minha mãe.
Um bom café a seguir, fiz eu.

Chegar a casa, ir buscar lenha, acender o lume, cheirar a fumo.

Com os mirtilos que trouxe do campo, fazer geleia, deitar açúcar, testar o ponto, lamber os dedos...


E já é preciso ir buscar mais lenha.


Um tordo caído sem vida no quintal, bateu na janela... seguro o seu corpo ainda quente e assim me deixo ficar. A vida é tão frágil, e tão bela, para além de qualquer explicação.
Alimento o lume que esmorece.



O meu sofá, o meu livro. Silêncio... Crepita o lume... O passar das folhas. O passar de mim pelas palavras, o rasto que elas me deixam... de luz e de fumo... por onde desço e ondulo. E entre o livro que leio, a minha história que se entre-escreve.

Como sempre, as coisas simples. E eu, comigo. Tão simples como todas as outras coisas.

Um dia bom.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um sonho

Foto de Michal Hulimka


Quando começa?
Quando termina?
Pode ser tudo um sonho.
Posso acordar agora e ser uma estrela
O universo todo no tempo de um gesto
Ontem era um grão de pó, mas não me lembro.
Só o sofrimento é real.
Como uma pedra que não se engole, nem se cospe.
Mas que se joga, entre os sentidos que habitam os corpos.
Que coisas todas dentro de mim
se amontoam, se entretêm e me atormentam?
Conforto é, apenas, o meu princípio recordável,
a memória feliz da inocência
e da colorida expectativa...

Um sonho?

Mãe, pai...
Que vou ser, quando morrer?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Onde vivem os monstros



Solidão, tristeza, raiva, esperança, medo, aventura.
Todos os monstros, estranhos e belos, que temos cá dentro.
Uma viagem que me apetece fazer.
Fico à espera da estreia em Portugal, este mês!

They're Here.

domingo, 1 de novembro de 2009

Samhain, o fim do Verão


As origens do Halloween, Noite de Todos os Santos, também conhecida como Noite das Bruxas, remontam ao antigo festival celta de Samhain, palavra de origem gaélica irlandesa que significa “Novembro”.

Este festival marca o fim do Verão, com o fim das colheitas, e o início de um novo ano no calendário celta, celebrado no primeiro dia de Novembro.

O ano celta começa com o duro Inverno, altura facilmente associada à morte humana. Os Celtas acreditavam que nesta noite que antecedia o novo ano, a fronteira entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos se tornava mais ténue, permitindo o contacto entre uns e outros, num clima favorável aos rituais de adivinhação e profecias, feitos pelos Druidas.
Para um povo que dependia inteiramente de um mundo natural volátil, estas profecias eram uma importante fonte de conforto e orientação durante o longo e frio Inverno.

Roda do Ano Celta

Samhain, no 1º dia de Novembro, é pois, um festival de escuridão e vigília, equilibrado no extremo oposto da Roda do Ano, por Beltane, no 1º dia de Maio, um festival de luz e fertilidade, a seis meses de distância.


Para já o Inverno, longo, frio, necessário.
No escuro silêncio, o que é morto e o que é vivo cá dentro, se confrontam e conversam.
No escuro silêncio, a seu tempo, surgirão sussurros de novos começos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

9 anos de ser Mãe...

Acrílico sobre tela, de Katie Berggren


Faz hoje 9 anos... experimentei a mais poderosa e mágica sensação da minha vida. O momento em que olhei nos olhos o meu primeiro filho, nos meus braços... um momento que me pareceu um sonho... aquele ser que eu tanto amava, estava agora aqui nos meus braços, o seu rosto encontrava o meu. Ele nascia e renascia eu.
O encantamento do amor de mãe foi intensamente inaugurado no meu peito. Essa misteriosa emoção que já nascendo com o tamanho infinito do Universo, consegue ainda crescer todos os dias.

sábado, 17 de outubro de 2009

Ilusão


O crepúsculo, apercebi-me então, é apenas uma ilusão, porque o sol ou está acima ou abaixo do horizonte. E isso significa que o dia e a noite estão ligados de uma maneira como poucas coisas o estão - não pode haver uma coisa sem a outra, porém não podem existir ao mesmo tempo. Como seria a sensação, lembro-me de me perguntar, de estar para sempre juntos, porém para sempre separados?


Se queres saber, as nossas almas foram uma
e nunca poderão vir a ser separadas
A tua face radiante ao crepúsculo esplêndido
Procuro por ti e encontro o meu coração.


N. Sparks, in "O Diário da Nossa Paixão"

sábado, 10 de outubro de 2009

Sábado... só.

(Imagem de Xavier Mathieu )

Em pleno Outono, um pleno dia de sol
o calor abraça um certo frio por dentro
há longo instalado
já bem o conheço e é assim
uma espécie de grito
calado

as crianças brincam
e o seu riso
embate e escorre nos muros do meu abandono
e das minhas perguntas

os amigos trazem sorrisos e palavras
vêm e vão
tanto sol, tanto mar
tanta gente e tanta solidão.

sábado, 3 de outubro de 2009

Another day

The kettle's on, the sun has gone, another day
She offers me, Tibetan tea, on a flower tray
She's at the door, she wants to score, she didn't mean to say:
"I loved you a long time ago
Where the winds of forget-me-nots blow
But I just couldn't let myself go
Not knowing what on earth there is to know
How I wish that I had, 'cause I feel so sad
That I never had one of your children."
From across the room, inside a tomb, a chance is waxed and waned
The night is young, why are we so hung up in each other's chains?
I must take her, and I must make her, while the dove domains
And feel the juice run as she flies
Run my wings under her sighs
As the flames of eternity rise
To lick us with the first born lash of dawn
Oh really my dear, I can't see what we fear
Standing here with ourselves in between us
And at the door, we can't say more, than just another day
And without a sound, I turn around, and I walk away


Roy Harper

sábado, 26 de setembro de 2009

Soneto de Separação



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinicius de Moraes

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Song to the Siren

Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your isle.
And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."
Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?
Now my foolish boat is leaning, broken lovelorn on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?
Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Mabon, Equinócio de Outono


Chegou o Outono...

A Roda do Ano gira eternamente... e o calendário Wiccan marca o espírito das estações, em cada um das festividades pagãs que constituem os Sabbats Wiccan.

Mabon, que acontece entre 21 e 23 de Setembro no hemisfério Norte, é o segundo festival das Colheitas, em que se celebra a abundância e a oportunidade de reconhecer e agradecer as preciosas oferendas da Natureza.

Estes festivais pagãos são momentos simbólicos de alinhamento com o poder da Natureza. No caso de Mabon, a inspiração que se recebe do Equinócio de Outono, em que dia e noite têm a mesma duração, é a de recuperar também o equilíbrio dentro da pessoa e nos seus principais projectos de vida.
Aceitar e honrar a nossa história pessoal e ver à nossa frente a porta que se abre para crescer.

Quer tenhamos bem a consciência disso ou não, todos somos feitos de ciclos e todos precisamos de rituais... Quanto melhor nos conhecermos a nós próprios, mais naturalmente podemos encontrar nestes momentos, uma lição e uma inspiração que são sempre pessoais.
O essencial é, em cada um destes momentos, sabermos ainda e sempre, observar a Natureza, a forma como muda, a forma como sempre retorna, entender os seus ciclos e reconhecer que também eles existem e devem ser celebrados dentro de nós. Porque também nós somos - Natureza.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Coração Habitado


Aqui estão as mãos
São os mais belos sinais da terra
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam que são as mãos de Deus,
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram indiferentemente.

Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.


Eugénio de Andrade

sábado, 1 de agosto de 2009

Feliz Lughnasadh!


No dia 1 de Agosto celebra-se Lughnasadh (ou Lammas), a Festa do Pão, em honra ao Deus Lugh, Deus da Luz e do Fogo. Lughnasadh é um dos oito Sabates ou festivais solares na Roda do Ano Wiccan, baseada na alternância natural das estações. É o primeiro dos três festivais de colheitas do Outono, seguindo-se o Equinócio de Outono (Mabon) e a Festa dos Finados (Samhain).

Esta festividade pagã, que ocorre entre o Solstício de Verão (Litha) e o Equinócio de Outono (Mabon), marca o início da época da colheita, uma época de agradecimento por tudo o que colhemos. Não só o que sentimos como bom, mas também o que percepcionámos como mau. Pois tudo o que recebemos faz parte do nosso caminho evolutivo pessoal.



Nas searas da vida, saboreamos aquilo que amadureceu. Observamos o que colhemos, repensamos o que semeámos, medimo-nos entre o que somos e o que queremos ser. Somos nós a semente de nós próprios. É um tempo de reflexão e libertação, em que se fecham ciclos e se dissolvem padrões de existência. É tempo de abrir novos caminhos, numa festa de alegria e de despedida.

Curiosamente, Lughnasadh tem também um nome mais antigo - Brón Trogain - que se refere ao doloroso trabalho de parto. Pois nesta época do ano, a Terra dá à luz os seus primeiros frutos, para que os seus filhos possam viver.

Esta é assim uma festa de dor e de luz.
E é verdade que a segunda não chega, sem se ter atravessado a primeira.

Feliz Lughnasadh!

domingo, 5 de julho de 2009

Rio Amor



Quando desejamos muito uma coisa e ela é boa, é sempre verdade. Mas até que ganhe asas e se possa soltar, leva o seu tempo. É preciso esperar em silêncio. Com paciência. E certeza.

(...)

Não sei porque te conto estas coisas da minha vida.
A minha vida é tão simples, a minha terra do Alentejo tão longe da tua; o rio que corre na minha terra tão pequenino que, às vezes, nem leva água: atravessa-se assim mesmo, como se fosse uma estrada.
Sabes como se chama o rio da minha terra?
Rio Amor.
Rio Amor é o rio da minha infância.

Qual é o rio da tua infância?


Maria Rosa Colaço in "Maria-Tonta, como eu". 1983.

Sim, Maria-Tonta-como-eu, estamos aqui e temos as palavras. As palavras que sempre nos ligaram. E tal como tanto desejaste... digo-te que é verdade. A ponte entre o teu rio e o meu rio é um grande, imenso arco-íris, onde voltamos sempre a deslizar, cheios de luz e esperança.

aguarela de JW Paclipan

domingo, 28 de junho de 2009

Poetry arrived


And it was at that age... Poetry arrived
in search of me. I don't know, I don't know where
it came from, from winter or a river.
I don't know how or when,
no, they were not voices, they were not
words, nor silence,
but from a street I was summoned,
from the branches of night,
abruptly from the others,
among violent fires
or returning alone,
there I was without a face
and it touched me.

I did not know what to say, my mouth
had no way
with names
my eyes were blind,
and something started in my soul,
fever or forgotten wings,
and I made my own way,
deciphering
that fire
and I wrote the first faint line,
faint, without substance, pure
nonsense,
pure wisdom
of someone who knows nothing,
and suddenly I saw
the heavens
unfastened
and open,
planets,
palpitating plantations,
shadow perforated,
riddled
with arrows, fire and flowers,
the winding night, the universe.

And I, infinitesimal being,
drunk with the great starry
void,
likeness, image of
mystery,
I felt myself a pure part
of the abyss,
I wheeled with the stars,
my heart broke free on the open sky.


Pablo Neruda

domingo, 21 de junho de 2009

Sonho de um Solstício de Verão



O sol entra no solstício de Verão hoje, dia 21 de Junho, às 6h46 da manhã.

É durante este dia que se celebra LITHA, uma festividade celta, que comemora e honra o elemento SOL como símbolo da VIDA. Certamente não por acaso, o mesmo dia em que celebro o meu nascimento.

O Solstício do Verão acontece quando o Sol atinge o Trópico de Cancer e se experimenta na Terra, a noite mais curta e o dia mais longo do ano.

Nesta noite, festeja-se a despedida do reinado do Deus do Carvalho (Senhor do Ano Crescente) e o início do reinado do Deus do Azevinho (Senhor do Ano Decrescente) que durará até Yule (solstício de Inverno), em oposição, o dia mais curto do ano.

Os antigos Povos da Europa acreditam que esta noite é propícia ao encontro com criaturas mágicas como fadas e duendes, que andam a correr pelos campos e florestas. Talvez a minha ligação, desde sempre, ao universo místico das fadas e criaturas da floresta, não seja indiferente ao facto de ter nascido neste dia...

Todas as formas de magia (especialmente as do amor) são extremamente potentes na véspera do Solstício do Verão, e acredita-se que aquilo que for sonhado nesta noite se tornará realidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Porque é o acontecimento do dia!


De manhã o Leonardo chegou à escola, entrou na sala e, silenciosamente, deixou uma mensagem a toda a turma. Trata-se, obviamente, de um acontecimento demasiado importante para se permitir que passe despercebido a alguém!

A cumplicidade entre irmãos é ou não é uma coisa fantástica?... :)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Batuque e Amor, muito e sempre!


Chegou hoje no correio...
Que alegria!
Da outra margem de um oceano... o Batuque do Ney Matogrosso, com "amor, muito e sempre"...
Minha querida e doce amiga Grace, menina toda feita de poesia, da cor do chocolate...
Meu reflexo tropical, do outro lado do espelho Atlântico!
Obrigada!
Adorei a embalagem "cafona" cheia de selinhos, adorei o som bem ritmado que agora anda comigo a dar as boas-vindas ao Verão, e adoro-te a ti!

Deixa ser pelo coração!



Só falta abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único

Talvez eu seja o último romântico
Dos litorais desse oceano atlântico
Só falta reunir a zona norte à zona sul
Iluminar a vida já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar, ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo então, aperta minha mão
Tolice é viver a vida assim sem aventura
Deixa ser pelo coração
Se é loucura então, melhor não ter razão.

domingo, 14 de junho de 2009

Dias Felizes!



Ontem no Monte do Paio, à beira da Lagoa de Santo André...
Há dias em que sabemos... que o Paraíso é mesmo um lugar na Terra.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Perpétuo movimento



Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.



"Pedra Filosofal", de António Gedeão
In Movimento Perpétuo, 1956

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Inextinguível amor


Não sei, mas o amor incendeia-me.
É uma chama inextinguível. Tenho tanto disso, que quero dá-lo a todos, e dou.
É como um grande rio, que alimenta e rega cada vila e aldeia. Ele vai sendo poluído, desagua nele a porcaria do ser humano, mas depressa as águas se purificam a si próprias e rapidamente segue em frente.
Nada pode estragar o amor, pois todas as coisas se dissolvem nele - o bom e o mau, o feio e o belo. O amor é algo que é a sua própria eternidade.


J. Krishnamurti, Cartas a uma Jovem Amiga.
(Imagem do filme "The Feast of Love").

domingo, 7 de junho de 2009

Mãe



Encontro-me
Nos teus braços
As lágrimas secas
Pelos teus dedos
O medo acalmado
Pela tua voz
Um sorriso despertado
Pelo teu rosto
Agora tudo está bem
O bater do teu coração
É o embalo do silêncio
E o resto do mundo
Não existe.

Carla Guiomar
1995

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pergunta às Montanhas...



Ask the mountains
Wild woods, highlands
Ask the green in the woods and the trees
The cold breeze coming in from the sea

Ask the mountains
Springs and fountains
Ask the sun that lightens up the sky
When the night gives in, to tell you why



E tudo o que precisas saber, ecoará dentro de ti, com o inequívoco sabor da verdade.

sábado, 30 de maio de 2009

Just a perfect day


Como disse um dia um astrofísico... A probabilidade da vida ter sido criada aleatoriamente, é idêntica à probabilidade de um furacão soprar num ferro velho e criar um Boeing 747.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Mértola Islâmica




Foi assim...

No Sábado ao final do dia... meio alentejo abrigou-se da chuva em Mértola...
Mértola estava islâmica, molhada e apinhada de gente!



Numa das ruas estreitinhas, entre magníficos e coloridos candeeiros, mantas e brincos, estas índias encontraram uns parentes que faziam uns crepes do outro mundo...





Bem pertinho de mim, conheço um castelo triste e silencioso, em cuja encosta cresci. Um castelo tão imensamente belo como esquecido... que merecia uma festa assim!...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Message in a... Blogger





De regresso a casa esta manhã.. ao som de...



Walked out this morning I don't believe what I saw
A hundred billion bottles washed up on the shore
Seems I'm not alone at being alone
A hundred billion castaways all looking for a home

I send an s.o.s. to the world
I hope that someone gets my
Message in a bottle...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Abraça-me bem



Não há como saber se o caminho é o certo...
Só pode voar quem arriscar cair...
Só se pode dar quem arriscar sentir...


Canta assim todos os dias uma voz (Mafalda Veiga) na rádio...

E não é estranho que haja tanta gente por aí... que ainda não tenha percebido?

domingo, 17 de maio de 2009

Ser humana...


Ser humana é… uma função em espiral que tende para o infinito, e que tange a liberdade plena.

Ser humana é… ser tão intensamente consciente ao ponto de me sentir una com todas as outras formas de vida neste planeta… e por isso tão responsável por todos os meus actos para com elas.

Ser humana é… pensar como uma montanha... correr como um rio… dançar como o vento… e viajar em profundidade, na permanente dialéctica da dor e do prazer, cada vez mais, até ao centro de mim.

Ser humana é… saber que recebi a dádiva da vida e por ela sentir, tão simplesmente, a gratidão eterna.

Ser humana é... amar assim... Perdidamente… Eternamente… Inevitavelmente.
Apenas, porque Sou.

Ser humana é, afinal… celebrar o Divino em mim!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma caracoleta em Paris



A Convenção das Doulas de France foi (pela segunda vez) a maravilhosa culpada de um belíssimo fim de semana na cidade das luzes... um passeio que soube a esta caracoleta como um copo de limonada fresca numa garganta sequiosa!





Assim.. a Lua Cheia da Flor, nome que toma a Lua cheia do mês de Maio, foi magnificamente celebrada sob os céus parisienses.


E ao som de uma belíssima Jam Session.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Índia a caminho

É uma menina! É uma menina!
Dei a feliz notícia aos meus índios hoje, ao ir buscá-los à escola:
Vão ter uma priminha e vai chamar-se Índia Liz!

Silêncio... olhares esbugalhados.. pensativos...
Caminhámos para o carro... os índios vinham entretidos, nas brincadeiras habituais.. a mãe transbordava excitação pelos três...

Enquanto lhes coloco o cinto de segurança, pergunto:
Então, mas não dizem nada? Agora que sabem que vão ter uma priminha menina?!
Resposta do Dudu:
Olha, sabes, aquela escova de dentes de menina, que nós temos lá em casa... vês? É por isso!
Eu dou-lhe um beijo e rio...
Comentário do Leo:
Mamã... Quer dizer que foi o cromossoma X que entrou não é?
Sim, filho, foi isso mesmo! :)
Leo: Pois.. se fosse o cromossoma Y era um rapaz.
...

15 minutos depois, chegamos a casa.
Pergunta o Dudu: JÁ NASCEU?

Rio e respondo:
Não amor... ainda falta um bocadinho :)



A nossa tribo vai receber uma princesinha.
E esta tia Índia está tão feliz!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Liberdade sobre rodas

A tarde do dia da Liberdade, foi celebrada da melhor forma... numa das actividades que mais prazer me dão, desde pequena. Um passeio de bicicleta pelo campo!



Rio de espigas, carreirinho de nuvens... outros caminhos que se cruzam com os caminhos de terra por onde vou pedalando... e às vezes assim é... pernas para um lado, sonhos para o outro. Os pedais a fazerem girar as ideias.



A bicicleta sempre foi para mim o meio mais gratificante de chegar, pelos meus próprios meios, a algum lugar valioso.
Simples, ecológico, árduo e prazeiroso.
Curvas e contracurvas. Subidas lentas e descidas rápidas, algumas rectas para esticar as costas e fazer contas de cabeça.
Intenso e diverso, enfim... como a vida.
E o lugar valioso a que se chega é valioso afinal, por todo o caminho que se fez para trás.

Pelo caminho, entram-me as paisagens corpo adentro, por todos os sentidos.
Converso com o vento que, ora concorda comigo... assobiando veloz, ora não... e sopra contra mim contrariado.
Uma felosa canta-me ao ouvido e acompanha-me ainda alguns metros do caminho.
Os aromas soltam-se do mato e perfumam o ar que me entra no peito e me dá a energia e o alento.
Sorrio perante um arbusto florido de rosmaninho que num instante surgiu ao meu lado, na curva.
Sorrio... e agradeço.



À minha volta, o Alentejo é uma exibição viva de estevas!




E, como é de boa educação, claro, cumprimentam-se os habitantes locais.






E já perto do anoitecer, regressa-se a casa.




Não imagino melhor viagem, que aquela em que me conduzo pelos meus meios, movida pelo meu esforço, para chegar a algum lugar... e em que, no caminho, vou chegando também a algum lugar dentro de mim. Um lugar... valioso!