sábado, 31 de janeiro de 2009

O Corpo da Paixão


Não quero morrer de ti…
Mas o meu coração fica pequenino e sem ritmo à medida que se afasta do teu…
Todos os espaços estão vazios, faltas tu em todo o lado meu amor, tu em todos os lugares.
E longe de ti há vento. E o vento é mudo e triste.
E longe de ti há chuva. E a chuva é tonta e sem graça.
E também há sol, às vezes… mas o sol é frio e pálido.
E longe de ti há as vozes das crianças ao fundo e todos os sons do mundo, distantes.
Porque longe de ti, a vida suspende-se à espera do reencontro consigo própria.
E quando estás perto, meu amor, estás tão perto!
Que todo o sangue se agita e pretende sair do meu corpo, porque te conhece e te pertence.
E é ao som da tua voz que o meu coração sabe quem é e como tem que bater.
E ao pé de ti, todo o meu corpo é maré. Vem e vai. Vai e vem.
Perante o seu astro dominante.
E do teu olhar vem toda a luz, e um suave sorrir teu basta, para iluminar todo o meu peito.
E assim ascende do meu ventre esta dança em chamas, que te chama, chama, chama...
E de ti emana todo o ar que respiro, que me percorre e me sustém.
E sem esse ar, creio eu, não há esta vida nem este fogo.
Tão intensamente se escreve assim, esta paixão no meu corpo…
Enches tudo meu amor. Enches tudo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Canção da Criança


Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a "canção da criança".

Quando nasce a criança, a comunidade junta-se e canta-lhe a sua canção.

Logo, quando a criança começa a sua educação, o povo junta-se e canta-lhe a sua canção.

Quando se torna adulto, a gente junta-se novamente e canta.

Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.

Finalmente, quando a sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, tal como no seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na "viagem".

Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os índios cantam a canção.

Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um acto social aberrante, é levada até ao centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.

Então cantam-lhe a sua canção.

A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo. É o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.

Quando reconhecemos a nossa própria canção já não temos o desejo nem a necessidade de prejudicar alguém.

Os teus amigos conhecem a "tua canção" e cantam-na quando a esqueces.



Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.

Eles recordam a tua beleza quando te sentes feio, a tua totalidade quando estás quebrado, a tua inocência quando te sentes culpado, e o teu propósito quando estás confuso.

Tolba Phanem
(poetisa africana)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ano Novo sob o signo de Búfalo



E acabamos de entrar no novo ano chinês do Búfalo (Niú).

2009, para os chineses, corresponde a 4706 no seu calendário lunar, sendo este o Ano do Búfalo, que se inicia a 26 de Janeiro e termina a 13 de Fevereiro de 2010, quando se inicia o Ano do Tigre.

A lenda conta que em tempos antigos, Buda convidou todos os animais para se reunirem com ele numa festa de ano novo. Apenas 12 animais vieram e Buda ofereceu-lhes um ano, de acordo com a sua ordem de chegada (Rato, Búfalo, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Galo, Macaco, Cão e Porco).
Buda anunciou que as pessoas nascidas no ano de cada animal, teriam alguma influência da personalidade desse animal.

Aqueles que nascem sob o signo chinês do Búfalo são seguros, calmos, destemidos, trabalhadores dedicados e amigáveis. Fogem sempre ao que está pré-convencionado e à rotina. O búfalo quando irritado transforma-se do paciente búfalo num verdadeiro touro…

Aqui a caracoleta é um búfalo de água:

Os anos regidos por Búfalo e os elementos associados:
Fev 11, 1937 a Jan 30, 1938 – Fogo
Jan 29, 1949 a Fev 16, 1950 – Terra
Fev 15, 1961 a Fev 04, 1962 – Metal
Fev 03, 1973 a Jan 22, 1974 – Água
Fev 20, 1985 a Fev 08, 1986 – Madeira
Fev 07, 1997 a Jan 27, 1998 – Fogo
Jan 26, 2009 a Fev 13, 2010 – Terra

Os movimentos a que o nativo de cada signo está associado (Madeira, Fogo, Terra, Metal, Água), dão-lhe características particulares. Este ano do Búfalo será um ano Terra, onde é ainda mais vincado o espírito prático.

Segundo informação daqui, este ano "deverá ser passado a semear aquilo que só mais tarde poderemos colher, pois sem cultivar os nossos objectivos nunca iremos obter frutos. A influência do signo do Búfalo é a de impulsionar-nos neste processo, não podemos esquecer que o búfalo foi durante séculos o ‘arado’ dos campos chineses, trabalhando na agricultura de forma incansável. De qualquer modo, ainda que obtida de forma difícil, a recompensa chegará".

Então.. um bom ano de cultivo a todos!

sábado, 24 de janeiro de 2009

A voz do poeta

Ouvi esta manhã... William Faulkner na voz de Forest Whitaker.
Soube bem.
Toda a celebração soube muito bem.
Porque a frutuosa esperança canta sempre mais alto do que a estéril resignação.

(Transmissão da RTP2, do concerto de celebração da investidura de Obama, no Lincoln Memorial, no passado dia 18).




“Recuso-me a aceitar o fim do Homem. É muito fácil dizer que o Homem é imortal porque ele vai resistir: que quando o último ding-dong da destruição tiver ressoado e se tiver dissipado da última inútil rocha, suspenso imóvel na última noite vermelha e moribunda, que mesmo nesse momento, haverá ainda um último som: o da sua débil incansável voz, ainda a falar. Recuso-me a aceitar isto. Acredito que o Homem não irá meramente resistir, ele irá prevalecer. Ele é imortal não porque seja o único entre os animais com uma voz incansável, mas porque tem uma alma, um espírito capaz de compaixão, sacrifício e resistência.
O dever do poeta, do escritor, é escrever sobre estas coisas. É seu privilégio ajudar o Homem a resistir, elevando o seu coração, lembrando-o da coragem e da honra, da esperança e do orgulho, da compaixão, da misericórdia e do sacrifício, que foram a glória do seu passado.
A voz do poeta não precisa ser meramente o registo do Homem, pode ser uma das fundações, dos pilares, que o ajudam a resistir e a prevalecer”.

William Faulkner - Discurso de aceitação do Prémio Nobel, Suécia, 10 de Dezembro de 1950.
(Minha tradução livre)

Imagem daqui

Prémio Blog de Ouro

Bem.. parece que recebi um prémio... :) daqui da minha amiga do lado aprender sem escola a quem agradeço o simpático gesto! Ela merece sem dúvida um grande prémio pelo excelente trabalho que faz pela divulgação e desmistificação do ensino doméstico e da partilha de reflexões e experiências genuinas de educação!


O prémio Blog de Ouro é atribuído só a mulheres. As regras, para quem recebe, são as seguintes:

1. Exibir a imagem do selo;
2. Escolher 6 mulheres diferentes a quem entregar o BLOG DE OURO;
3. Deixar um comentário nesses blogues para que saibam que ganharam o prémio.

Eu passo o prémio às seguintes belíssimas presenças femininas na blogosfera:
Tara
Banalidades
Assobio Rebelde
Mamíferas
Toca-me
África em Poesia

Bem hajam!

Ponto de Vista



Daqui de onde vejo... a vida é simples.

Não é fácil, nem é suposto ser fácil, nem faz sentido ser fácil.
Mas é simples.


"O mundo está cheio de vendedores de complexidade. Temos que abatê-los à chinelada." Disse Jaime Lerner.

Daqui de onde vejo... nem é preciso pegar no chinelo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mar Sonoro


Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Poema Feliz


Não sei escrever poemas felizes,
Dizes.
Só a semente da inquietação
E a lâmina da angústia
Geram em mim
Campos de poesia
Frases e rimas,
Nunca a alegria.
Só a dúvida e o desespero
Me aparentam ser verdade,
Nunca a felicidade.
Só a dor e a miséria
Às vezes a saudade
Só um querer desatendido
Um sonho frustrado
Nunca as flores de um prado,
Nunca uma gargalhada.
Só a alma apertada,
Me alinha as palavras,
De uma dor desfiada.
Só os tons de cinzento
Me concedem expressão,
Nunca um dia de Verão,
como hoje.
Agora mesmo
Enquanto me olhas
Por entre pétalas e espigas
O sol incendeia-te o olhar
Em resplendor...
Nada digas.
Um poema feliz?
É este amor.

(Dezembro 1998)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Por exemplo... as árvores!


Há algum tempo atrás... com os meus piratas, no percurso habitual de carro, a caminho da escola:

D - Olha mano, vês? (escondendo os braços atrás das costas) Não tenho braços!
L - Tens sim. Estão atrás das tuas costas.
D - Não.. não tenho... Olha... (mostrando os braços) já tenho! Foi magia!
L - Não... isso não existe...
Mãe - Então... mas não há coisas que acontecem de forma mágica?...
L - Como por exemplo?
Mãe - Olha, por exemplo... quando nasce um bebé!
L - Isso não é magia!
Mãe - Não? Porque não?
L (reflectindo alguns momentos) - Não te sei responder.
Mãe - Então, estás a ver? Quando acontece algo tão maravilhoso e fantástico que não conseguimos explicar, podemos dizer que é mágico...
D - Há magia sim! Por exemplo as árvores. Começamos pelas árvores. Uma árvore a crescer.
Mãe - Pois é filho! Tu entendes de magia! Uma árvore a crescer é mágico... nós não a vemos a crescer, mas quando chegamos lá algum tempo depois já está maior!
L - A magia é quando acontece algo que nós não conseguimos fazer.
Mãe - E quem é que faz isso?
L - Os mágicos.
Mãe - E os mágicos não são pessoas?
L - São pessoas com poderes especiais e então conseguem fazer magia. E o mano não é mágico!
D - Eu sou mágico. Sabes porquê? Às vezes eu escondo qualquer coisa e quando lá chego já não está lá!

:D :D :D Gargalhada geral!

Como por magia, assim se começa bem um dia!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sê... a Criança Incorruptível!


Escuta o teu Ser.
Ele está sempre a dar-te pistas.
É uma voz baixa e calma.
Se ficares por um momento em silêncio começarás a sentir o teu caminho.
Sê a pessoa que és.
Nunca tentes ser uma outra pessoa, e assim, tornar-te-ás mais maduro.

Maturidade é aceitar a responsabilidade de se ser autêntico, seja a que preço for.

Maturidade significa o mesmo que inocência, mas com uma diferença: a maturidade é a inocência recapturada. Todas as crianças nascem inocentes, mas todas as sociedades as corrompem. Todas as culturas dependeram da exploração da inocência da criança, de fazer dela um escravo, condicionando-a aos seus próprios objectivos políticos, sociais, ideológicos... decididos pelos interesses instituídos.

Esquece tudo o que te ensinaram, tudo o que não é verdadeiramente conhecimento teu... Foi-te emprestado. Tudo o que chegou da tradição, das convenções, através dos pais, dos professores, dos padres, das universidades.
Deixa-o cair.
Escuta o teu ser... e renasce.

Amadurecer significa recuperar a inocência perdida, reivindicar o teu paraíso, ser novamente criança, mas desta vez... porque reivindicada pela experiência, pela inteligência, torna-se incorruptível.


(Minha adaptação livre de textos de OSHO)
Créditos da imagem: http://www.josephinewall.co.uk/

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Desengano


Vejo uma mulher que sorri
para mim, ao longe
no fim de uma estrada
por onde sigo embalada
com o vento pelas costas
e a vontade entorpecida.
Conduzem-me, a vida
esse vento e esses olhos
que sorriem ao fundo...
Mas se parar é morrer
ser empurrada é viver morta
carregando uma alma
cadavérica que apodrece
dentro do corpo.
Não me empurrem!
Quero acordar esta vontade
e rasteirar esse destino.
Sair da estrada
Sentir o chão
Ser mestre da minha embarcação
Furar tempestades
Desafiar as verdades
que inventam,
os homens que andam nas estradas.
Que vejo agora?
Uma criança que me procura.
Os seus olhos, meus guias
na noite escura.
Que medo de te perder...
de te esquecer!
E deambular às cabeçadas
na solidão barulhenta
dos homens que andam nas estradas.
Enquanto me procurares
seguirei sempre
por caminhos de terra
empurrada apenas...
pela vontade e pelo sonho!

(Fevereiro de 1996)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Dias frios... e felizes.

Fim-de-semana com as crianças. Quase zero graus lá fora… e a televisão avariada.
Um bom desafio para a imaginação de uma mãe.
Não que esta mãe recorra habitualmente à TV… aliás… é mesmo um último recurso… mas com estas temperaturas, os programas ao ar livre ficam assim, um tanto ou quanto condicionados… e estes dois piratas dentro de casa, mais tarde ou mais cedo, é contagem decrescente para o caos. E quando assim é… há pequenos milagres que dão pelo nome de “As gargalhadas do Donald” ou o “Como se faz” no Discovery Channel. Mas quando a televisão está avariada… Não há milagres na cartola… não há batota possível. Mãe, mostra o que vales. Está bem.. está frio.. está muito frio… brrrr… mas não está temporal! Boa!

Felizmente soubemos cedinho que havia feira da ladra no jardim municipal.
Pronto… mini-feira. Meia dúzia de bancas com algumas velharias... Mas é tudo o que uma mãe precisa.
Comprámos três apitos de madeira (um pra cada um de nós) e um búzio, para ouvir o mar... nos dias em que não o vamos ver.



Depois fomos ao parque do chafariz.
Adoro ir ao parque com os meus piratas. Mas a maior aventura é conseguir sair do parque com eles.
Fomos buscar a Bicicleta para um, a Trotineta para outro, e claro, o livro para a mãe.
Casacos grossos e gorros para todos.
Olhei para os apitos novos... “Rapazes, quando a mãe apitar está na hora de irmos embora”. Rostos entusiasmados de consentimento.
E assim foi. Perfeito!
Bem… devo reconhecer que o facto da mãe fazer seguir a apitadela com um “Vamos para casa fazer waffles!” também ajudou um bocadinho.

At the park


De quantas cores são feitas as nossas cercas?

sábado, 10 de janeiro de 2009

Responsabilidade


"Disseram-nos para sermos responsáveis com os nossos pais, com o nosso cônjuge, com os nossos filhos, a nação, a igreja, a humanidade, Deus. A lista é quase interminável. Mas a responsabilidade fundamental não faz parte dessa lista.
Somos responsáveis apenas por uma coisa: o auto-conhecimento.
Assim que assumimos o nosso verdadeiro ser, acontece uma revolução na nossa visão... Começamos a sentir novas responsabilidades, não porque isso seja esperado de nós, não como deveres a cumprir, mas como uma alegria. Faremos tudo por felicidade, pelo nosso próprio sentimento de amor e de compaixão.
A responsabilidade que devemos assumir é, antes de mais, perante nós próprios. Tudo o resto acontece, naturalmente, sem esforço da nossa parte. E quando as coisas acontecem sem esforço, têm uma beleza tremenda!"
OSHO

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O hábito... morre de velho.

A propósito de um texto que li aqui

"O hábito é a mais infame das doenças porque nos faz aceitar qualquer infelicidade, qualquer dor, qualquer morte. Por hábito vivemos com pessoas odiosas, aprendemos a andar acorrentados, a suportar injustiças a sofrer, resignamo-nos à dor, à solidão, a tudo. O hábito é o mais impiedoso dos venenos porque entra em nós lentamente, silenciosamente, cresce a pouco e pouco alimentando-se da nossa inconsciência e, quando descobrimos que a temos sobre nós, já todas as nossas fibras se adaptaram a ela, já todas as atitudes foram por ela condicionadas, não existe já remédio que possa curar-nos".

Oriana Fallaci in “Um Homem”

E apetece perguntar... Quando será que é esse momento, se é que existe, em que é já tarde demais? Tarde demais para ser consciente.. tarde demais para ser corajoso?
Na verdade acho que não há tarde demais... mas sim querer de menos.
Alguém, algures, em tempo algum, terá justificação para se resignar à infelicidade, a não ser que, de facto, no meio de todos os seus medos, ela seja, no fim de contas, aquilo que mais quer?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

The odour of freedom



I am as a dolphin born, into a concrete pool
Who has never known anything better,
yet yearns for open sea
Perhaps a seabird's feather,
once landed in my pool
And instinct knew the odour,
of the place where I should be.

Este pequenino poema que guardo há muitos anos e é muito especial para mim, é de Laurence Frost.

A pintura é minha, em Pastel, 1999.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Mãe Velha e o Rio



Mãe velha já não sonha
Dizem o sonho dela
Fugiu pela janela
Foi morar noutro lugar

Pelo rio acima
Faz dias, se foi Antão
Longe da vista
Perto no coração

Atrás de não-sabe-o-quê
Pelos meios do mato
Se foi o rebento ingrato
Um adeus não soltou

Mãe, mais não é
Sem filho para criar
Que amores foi atracar
Em moça de muitos encantos

Ele com ela se foi
No longe despedindo o olhar
E a subir olharam o chão
Mãe nele se fazendo pequena
Seus medos chorando que não
Sua voz se embalando em canção
Que chama baixinho...
Antão, então,... volta não?

Avistada quase nunca
Mãe se foi abandonando
Visitas todas recusando
Esperança nela não morava

Sofrendo por trás das noites
Conforto só encontrava
Nas vezes que se banhava
No leito do rio

Mãezinha se derramava
Parecia a correnteza
Levava a dor e a tristeza
Rio abaixo, para ver o mar

Aos poucos tristeza abalava
E no lugar deixava
Sementinha de sonho
E graça nova no gesto

Nestes dias, caricia o ventre
Redondo de lua cheia
Dizem foi o rio
Quem lhe pôs esse filho
Que cedo, cedo vai nascer.

(uma brincadeira´que escrevi em 1995, em jeito de homenagem a um dos meus autores favoritos... também biólogo, também Moçambicano, Mia Couto)

(Pintura de Gerrit Roon)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Nuvem de consciência


Quero ser como a nuvem
que não discute com os ventos
e aceita apreciar a viagem.
Tão intensamente presente,
de cambiantes formas
mudança permanente
certeza nenhuma
mas sempre feita da mesma substância
a profunda e sobrevoante essência…
Estou Aqui e Agora e quero Ser
Uma nuvem de consciência…
Sem objectivos nem planos.
Mudando sempre de direcção
mas nunca de sentido.
Tão leve…
Mas tão cheia de deslumbramento!
E quando transbordo…
Chove… todo o meu amor.

Poema e fotografia de Carla Guiomar

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

AGORA...


... é o momento perfeito!

(A fotografia é minha, aos primeiros minutos de 2009, na baía de Sines)