quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Canção da Criança


Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a "canção da criança".

Quando nasce a criança, a comunidade junta-se e canta-lhe a sua canção.

Logo, quando a criança começa a sua educação, o povo junta-se e canta-lhe a sua canção.

Quando se torna adulto, a gente junta-se novamente e canta.

Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.

Finalmente, quando a sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, tal como no seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na "viagem".

Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os índios cantam a canção.

Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um acto social aberrante, é levada até ao centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.

Então cantam-lhe a sua canção.

A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo. É o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.

Quando reconhecemos a nossa própria canção já não temos o desejo nem a necessidade de prejudicar alguém.

Os teus amigos conhecem a "tua canção" e cantam-na quando a esqueces.



Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.

Eles recordam a tua beleza quando te sentes feio, a tua totalidade quando estás quebrado, a tua inocência quando te sentes culpado, e o teu propósito quando estás confuso.

Tolba Phanem
(poetisa africana)

4 comentários:

Rita Costa disse...

Realmente dá que pensar...

Beijo grande

Caracoleta disse...

Olá Rita, obrigada pela visita!
Pois, acho lindíssimo este ritual de grupo que reconhece e aplica uma verdade que cada um de nós traz desde sempre gravada no âmago do seu coração, mas tantas vezes oprimida e esquecida, e que enquanto sistema social é predominantemente subjugada: o magnífico e insuperável poder do amor!
Cabe a cada um de nós, mostrar com a sua dádiva, de que o mundo pode ser diferente e muito melhor. Porque o mundo somos nós.
Tenho que agradecer à Margarida Piló, que me deu a conhecer este belíssimo texto. Obrigada!

lecarioca disse...

ei,
como vai ?
texto bem escrito e que foto imagem interessante....
adorei seu blogg
parabéns...
abraços

patricia disse...

sou professora da pré escola e este texto foi lido em uma palestra aqui na minha cidade pela professora Emília CIpriano ,meu DEUS é tão lindo ,eu sei que sempre tive minha própria canção ,mas depois que li e reli este texto ,estou aprendendo a ouvi-la de uma maneira muito especial .