quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Desengano


Vejo uma mulher que sorri
para mim, ao longe
no fim de uma estrada
por onde sigo embalada
com o vento pelas costas
e a vontade entorpecida.
Conduzem-me, a vida
esse vento e esses olhos
que sorriem ao fundo...
Mas se parar é morrer
ser empurrada é viver morta
carregando uma alma
cadavérica que apodrece
dentro do corpo.
Não me empurrem!
Quero acordar esta vontade
e rasteirar esse destino.
Sair da estrada
Sentir o chão
Ser mestre da minha embarcação
Furar tempestades
Desafiar as verdades
que inventam,
os homens que andam nas estradas.
Que vejo agora?
Uma criança que me procura.
Os seus olhos, meus guias
na noite escura.
Que medo de te perder...
de te esquecer!
E deambular às cabeçadas
na solidão barulhenta
dos homens que andam nas estradas.
Enquanto me procurares
seguirei sempre
por caminhos de terra
empurrada apenas...
pela vontade e pelo sonho!

(Fevereiro de 1996)

4 comentários:

Amaral disse...

Concordo em absoluto: Tudo o que existe, existe agora. É permanente a mudança e o agora é belo.
O vento beija as papoilas de uma maneira que só os alentejanos entendem...
Como sou de perto de Santiago, também me apercebo disso mesmo!
O poema de Carla Guiomar prende a nossa sensibilidade, acorda a nossa vontade e chama a criança que há em nós...

Amaral disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Amaral disse...

Porque não aparecem aqui os comentários, Caracoleta?...

Caracoleta disse...

Peço desculpa, a caracoleta distraída não reparou que tinha todos os comentários à espera de aprovação :)
Não volta a acontecer!
Que bom que gostou do poema... velhos escritos que ando a revisitar e sabe bem partilhar.
Um abraço alentejano!
Carla