sábado, 24 de janeiro de 2009

A voz do poeta

Ouvi esta manhã... William Faulkner na voz de Forest Whitaker.
Soube bem.
Toda a celebração soube muito bem.
Porque a frutuosa esperança canta sempre mais alto do que a estéril resignação.

(Transmissão da RTP2, do concerto de celebração da investidura de Obama, no Lincoln Memorial, no passado dia 18).




“Recuso-me a aceitar o fim do Homem. É muito fácil dizer que o Homem é imortal porque ele vai resistir: que quando o último ding-dong da destruição tiver ressoado e se tiver dissipado da última inútil rocha, suspenso imóvel na última noite vermelha e moribunda, que mesmo nesse momento, haverá ainda um último som: o da sua débil incansável voz, ainda a falar. Recuso-me a aceitar isto. Acredito que o Homem não irá meramente resistir, ele irá prevalecer. Ele é imortal não porque seja o único entre os animais com uma voz incansável, mas porque tem uma alma, um espírito capaz de compaixão, sacrifício e resistência.
O dever do poeta, do escritor, é escrever sobre estas coisas. É seu privilégio ajudar o Homem a resistir, elevando o seu coração, lembrando-o da coragem e da honra, da esperança e do orgulho, da compaixão, da misericórdia e do sacrifício, que foram a glória do seu passado.
A voz do poeta não precisa ser meramente o registo do Homem, pode ser uma das fundações, dos pilares, que o ajudam a resistir e a prevalecer”.

William Faulkner - Discurso de aceitação do Prémio Nobel, Suécia, 10 de Dezembro de 1950.
(Minha tradução livre)

Imagem daqui

Sem comentários: