sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

On the road...


... ao som de Lenny Kravitz...

Life is just a lonely highway
I'm out here on the open road
I'm old enough to see behind me
But young enough to feel my soul


Talvez a melhor equação para encontrar a minha idade!
;)

Créditos da Imagem

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Hallellujah


E foi esta semana que a vi... logo na segunda-feira.
De manhã cedo, no caminho habitual para o trabalho.
Uma pequena sombra, negra e veloz, esvoaçando do meu lado esquerdo...
Um rabisco apenas.. tão facilmente passaria despercebido mas...
Num instante me captou.
Aquele vôo rápido, esperto e vivo. Inconfundível.
Só uma.. sozinha.. tacteando os primeiros raios de sol.
Pousou num cabo, só para olhar para mim. Só para que eu olhasse para ela.
E algo dentro de mim soube e sorriu, antes da palavra conseguir nascer na minha mente.

Está quase aí.
A Primavera.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Templo limpo


Ouvi em tempos uma história que era assim:
Num mosteiro havia o grande Mestre e o Guardião.
O Guardião morreu e o grande Mestre reuniu todos os irmãos para escolher quem o iria substituir.
Assumiria o posto o monge que conseguisse resolver, primeiro, o problema que iria apresentar naquele momento.
Então o Grande Mestre colocou um banquinho no centro da sala e, em cima, um vaso de porcelana raríssimo, com uma belíssima rosa vermelha a enfeitá-lo.
Disse apenas: “Aqui está o problema!”
Todos olharam atentamente. O vaso lindíssimo, de valor extraordinário, a flor maravilhosa no centro! O que representam? O que fazer? Qual será o enigma?
Nesse momento, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e “zapt”. Destruiu tudo com um só golpe.
Logo que o discípulo retornou ao seu lugar, o Grande Mestre disse:
“Você é o novo Guardião... Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado”

Um bom guardião do seu templo, sabe eliminar o que é (ou já foi...) tão belo, mas que na verdade, já não nos faz crescer, já não traz nada de novo, apenas permanece ali, ocupando espaço...

Espaço livre... é o bem mais precioso num templo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dia do Asperger


Comemora-se hoje, 18 de Fevereiro, o Dia do Asperger, data em que nasceu, em 1906, o pediatra austríaco, Hans Asperger, que despoletou todo o trabalho desenvolvido em torno da Síndrome de Asperger, uma perturbação do desenvolvimento do espectro do autismo.
Esta perturbação pervasiva do desenvolvimento, afecta a forma como o cérebro processa informação, mas com sintomas muito mais subtis do que o autismo clássico, e por isso passa frequentemente despercebida até à idade escolar, altura em que há uma maior pressão sobre a criança para responder a expectativas sociais sobre ela colocadas.
Os sintomas não se verificam todos da mesma forma em todas as crianças, e existem graus ligeiros, moderados ou graves de manifestação desta perturbação, mas de uma forma geral, estas crianças (ou adultos) são vistos como pessoas um bocado estranhas, exuberantes numa certa área de conhecimento do seu interesse, que se comportam ou reajem de maneira esquisita - muito sensíveis a certas situações e muito alheadas de outras, encontrando-se muitas vezes entretidas sozinhas. Apresentam também alguma rigidez social, ideias fixas, teimosia, e alguma descoordenação motora (são um pouco desajeitados nos movimentos). Não são nem menos, nem mais, do que as outras crianças, são simplesmente diferentes, com pontos fortes e fracos, como todos nós.
Se os soubermos compreender, podemos ajudá-los a ultrapassarem as suas dificuldades e a desenvolverem as suas potencialidades. Por isso a informação e a educação para o respeito e valorização da diferença são tão importantes!



PERSPECTIVA DA CRIANÇA

Uma criança com a Síndrome de Asperger pode sentir-se assim:

• Eu posso estar concentrado nos meus pensamentos e não ouvir alguém chamar ou falar comigo.
• Um determinado sabor pode ser óptimo para toda a gente, e para mim ser de vómitos.
• O mesmo acontece com alguns cheiros. O melhor perfume do mundo pode fazer-me sentir a sufocar. O cheiro do tabaco pode ser completamente insuportável.
• Às vezes os ruídos são para mim ensurdecedores e eu tenho de tapar os ouvidos ou fugir.
• Eu tenho um interesse especial ,do qual falo constantemente. SE for por comboios, então gosto de tirar fotografias de comboios, desenhar comboios e até reproduzir os barulhos de comboios. Fico muito excitado quando abordo o assunto e não entendo porque é que os que me rodeiam não se interessam pelo tema.
• Eu tenho determinados rituais ou “manias”, que tenho de seguir escrupulosamente, para ficar calmo e relaxado. Mas às vezes fico frustrado pois ocupam-me muito tempo.
• Às vezes fico assustado se vejo muitas pessoas à minha volta ou alguém que desconheço. Nem sequer quero olhar para eles ou falar com eles, quero ser invisível. Tenho dificuldade em pedir coisas nas lojas ou em falar com o empregado do restaurante. Fico muito envergonhado e um pouco assustado.
• Eu não consigo perceber o que estás a sentir quando olho para ti. Tenho dificuldade em perceber a linguagem corporal a não ser que estejas a chorar, rir ou a gritar muito alto.
• A maior parte das vezes não gosto que me toquem. Prefiro que não me dêem abraços mas adoro que alguém conhecido me coce as costas. Não gosto muito de cortar e lavar o cabelo e detesto que me cortem as unhas.
• Não sou nenhum equilíbrista e até andar a pé me cansa.
• Não entendo as palavras com duplo sentido. Também não percebo as anedotas.
• Eu acredito piamente no que me dizem. Se me dizes que as pessoas morrem se não bebem água posso levar tão a sério que passarei a beber água a toda a hora. Isso fica-me na memória e preocupa-me. Não me passa pela cabeça que uma pessoa sem água pode sobreviver alguns dias ou que a água necessária ao corpo pode vir de outras fontes (leite, sopa, etc).
• Tenho consciência que sou diferente, que não consigo fazer com facilidade o que os outros fazem e isso deixa-me nervoso e frustrado. Mas não percebo a origem da minha diferença ou porque é que os outros me gozam.
• Eu gosto de conhecer novas pessoas e falar-lhes, mas não sei como. Elas assustam-me. Leva-me algum tempo a ficar confortável com alguém.
• Não percebo porque é que o meu professor diz que eu me porto mal … eu esforço-me por fazer o meu trabalho mas não percebo muitas coisas e não mas explicam correctamente. Mas se me sentam no fundo da sala ainda é pior porque ou fico a sonhar acordado ou me distraio facilmente.
• Não consigo com facilidade ver as horas, atar os atacadores, descascar uma peça de fruta, dar um chuto decente numa bola, andar de bicicleta, usar o compasso ou a régua.
• Algumas roupas são tão desconfortáveis que não consigo vesti-las.
• Prefiro ficar em casa a jogar Playstation ou ver televisão do que ir ao parque.
• No recreio não me importo de brincar sozinho.



Mais informação na página da APSA.

Imagem da criança em Specialkidstoday

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Antevasin


ANTEVASIN. Em sânscrito, significa alguém que vive na fronteira.

"Em tempos antigos era uma descrição literal. Indicava uma pessoa que abandonara o centro agitado da vida mundana para ir viver para a orla da floresta, onde os mestres espirituais habitavam. O antevasin já não era um dos aldeãos – já não era um chefe de família com uma vida convencional. Mas também ainda não era um ser transcendente – não era um daqueles sábios que vivem nas profundezas das florestas inexploradas, totalmente realizado. O antevasin era alguém entre dois mundos. Habitava essa fronteira. De onde estava, podia ver ambos os mundos, mas olhava para o desconhecido. E era um erudito.

Em sentido figurado, esta é uma fronteira que está sempre a deslocar-se – à medida que avançamos nos nossos estudos e percepções, aquela misteriosa floresta do desconhecido mantém-se sempre alguns passos à nossa frente, para que tenhamos de andar ligeiros para a continuarmos a seguir. Temos de nos manter móveis e flexíveis.
(...)
Sou apenas uma antevasin escorregadia – por entre e no meio de – uma aluna na fronteira em constante mudança junto à floresta maravilhosa e assustadora do que é novo”.

Elisabeth Gilbert, in "Comer, Orar, Amar".

Obrigada Liz, por encontrares também uma palavra para mim.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Apesar do frio


"(...)
Não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração".

António Ramos Rosa

Warrior poets



Ainda há algum vivo desta espécie?


(Sinto-me só)