quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dia do Asperger


Comemora-se hoje, 18 de Fevereiro, o Dia do Asperger, data em que nasceu, em 1906, o pediatra austríaco, Hans Asperger, que despoletou todo o trabalho desenvolvido em torno da Síndrome de Asperger, uma perturbação do desenvolvimento do espectro do autismo.
Esta perturbação pervasiva do desenvolvimento, afecta a forma como o cérebro processa informação, mas com sintomas muito mais subtis do que o autismo clássico, e por isso passa frequentemente despercebida até à idade escolar, altura em que há uma maior pressão sobre a criança para responder a expectativas sociais sobre ela colocadas.
Os sintomas não se verificam todos da mesma forma em todas as crianças, e existem graus ligeiros, moderados ou graves de manifestação desta perturbação, mas de uma forma geral, estas crianças (ou adultos) são vistos como pessoas um bocado estranhas, exuberantes numa certa área de conhecimento do seu interesse, que se comportam ou reajem de maneira esquisita - muito sensíveis a certas situações e muito alheadas de outras, encontrando-se muitas vezes entretidas sozinhas. Apresentam também alguma rigidez social, ideias fixas, teimosia, e alguma descoordenação motora (são um pouco desajeitados nos movimentos). Não são nem menos, nem mais, do que as outras crianças, são simplesmente diferentes, com pontos fortes e fracos, como todos nós.
Se os soubermos compreender, podemos ajudá-los a ultrapassarem as suas dificuldades e a desenvolverem as suas potencialidades. Por isso a informação e a educação para o respeito e valorização da diferença são tão importantes!



PERSPECTIVA DA CRIANÇA

Uma criança com a Síndrome de Asperger pode sentir-se assim:

• Eu posso estar concentrado nos meus pensamentos e não ouvir alguém chamar ou falar comigo.
• Um determinado sabor pode ser óptimo para toda a gente, e para mim ser de vómitos.
• O mesmo acontece com alguns cheiros. O melhor perfume do mundo pode fazer-me sentir a sufocar. O cheiro do tabaco pode ser completamente insuportável.
• Às vezes os ruídos são para mim ensurdecedores e eu tenho de tapar os ouvidos ou fugir.
• Eu tenho um interesse especial ,do qual falo constantemente. SE for por comboios, então gosto de tirar fotografias de comboios, desenhar comboios e até reproduzir os barulhos de comboios. Fico muito excitado quando abordo o assunto e não entendo porque é que os que me rodeiam não se interessam pelo tema.
• Eu tenho determinados rituais ou “manias”, que tenho de seguir escrupulosamente, para ficar calmo e relaxado. Mas às vezes fico frustrado pois ocupam-me muito tempo.
• Às vezes fico assustado se vejo muitas pessoas à minha volta ou alguém que desconheço. Nem sequer quero olhar para eles ou falar com eles, quero ser invisível. Tenho dificuldade em pedir coisas nas lojas ou em falar com o empregado do restaurante. Fico muito envergonhado e um pouco assustado.
• Eu não consigo perceber o que estás a sentir quando olho para ti. Tenho dificuldade em perceber a linguagem corporal a não ser que estejas a chorar, rir ou a gritar muito alto.
• A maior parte das vezes não gosto que me toquem. Prefiro que não me dêem abraços mas adoro que alguém conhecido me coce as costas. Não gosto muito de cortar e lavar o cabelo e detesto que me cortem as unhas.
• Não sou nenhum equilíbrista e até andar a pé me cansa.
• Não entendo as palavras com duplo sentido. Também não percebo as anedotas.
• Eu acredito piamente no que me dizem. Se me dizes que as pessoas morrem se não bebem água posso levar tão a sério que passarei a beber água a toda a hora. Isso fica-me na memória e preocupa-me. Não me passa pela cabeça que uma pessoa sem água pode sobreviver alguns dias ou que a água necessária ao corpo pode vir de outras fontes (leite, sopa, etc).
• Tenho consciência que sou diferente, que não consigo fazer com facilidade o que os outros fazem e isso deixa-me nervoso e frustrado. Mas não percebo a origem da minha diferença ou porque é que os outros me gozam.
• Eu gosto de conhecer novas pessoas e falar-lhes, mas não sei como. Elas assustam-me. Leva-me algum tempo a ficar confortável com alguém.
• Não percebo porque é que o meu professor diz que eu me porto mal … eu esforço-me por fazer o meu trabalho mas não percebo muitas coisas e não mas explicam correctamente. Mas se me sentam no fundo da sala ainda é pior porque ou fico a sonhar acordado ou me distraio facilmente.
• Não consigo com facilidade ver as horas, atar os atacadores, descascar uma peça de fruta, dar um chuto decente numa bola, andar de bicicleta, usar o compasso ou a régua.
• Algumas roupas são tão desconfortáveis que não consigo vesti-las.
• Prefiro ficar em casa a jogar Playstation ou ver televisão do que ir ao parque.
• No recreio não me importo de brincar sozinho.



Mais informação na página da APSA.

Imagem da criança em Specialkidstoday

2 comentários:

disse...

Bem, obrigada por este post. Havia aqui muitas coisas que eu desconhecia completamente.

ox
Z

Caracoleta disse...

Notícia no Público:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1366272