segunda-feira, 30 de março de 2009

Mamã... enquanto dormias...

Bem melhor do que o pequeno-almoço na cama...
...é um bilhete de amor dos nossos filhos, ao acordarmos, entregue num doce despertar de abraços, beijos e carinhos...



O Leo desenhou os círculos com o seu compasso novo... e inflectiu-lhe as curvas de um coração... E nesta geometria dos afectos... o Dudu inaugurou o seu próprio português, juntando as letrinhas recém-aprendidas, para traduzir, directamente do seu coração para o papel, um recado especial para a mãe...



E que faz uma mãe com o mais belo de todos os recados?
Pinta, emoldura, pendura na parede,
e claro, guarda no peito para sempre.

Alguém consegue imaginar conspiração mais preciosa?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ostara - Deusa da Primavera


Hoje dia 20 de Março, às 11h44m, o Sol entrou no equinócio de Primavera.
Pela primeira vez no ano, o dia e a noite têm igual duração. É portanto, uma data de equilíbrio e reflexão. A partir daqui os dias tornam-se mais longos e as noites mais curtas, o que simboliza o crescente domínio da luz sobre as trevas, da energia de expansão e libertação sobre as forças da decrepitude invernal.

Neste dia, celebra-se o Festival Pagão* de Ostara, Deusa da Fertilidade e da Primavera, marcando o início da época de plantio, tanto físico como espiritual e o redespertar da vida na Terra.

Ostara é o espelho da beleza da natureza, a renovação do espírito e da mente. Esta Deusa corresponde na mitologia grega, a Perséfona e na mitologia romana, a Ceres.

Enquanto trocamos as pesadas roupas de Inverno, pelas mais leves de Primavera, que este possa ser um momento de inspiração para rompermos com velhos padrões inerciais que já não nos servem e nos lançarmos em vital auto-renovação, com dedicada entrega ao presente, germinante esperança no futuro, e a força e sabedoria herdada do passado.

Feliz Ostara!



*Pagão significa simplesmente "camponês", o povo que vive no campo, ou na floresta, com uma forte ligação à natureza.

Amadeu


Para mim Deus é amor, apenas amor... - disse-lhe eu (com os meus 25 anos na altura), com a esperança de um eco, de uma confirmação. Não porque não o soubesse bem para mim, mas porque nunca antes o tinha dito a um especialista no assunto, um padre, que neste caso era também uma referência muito especial para mim, desde a infância, um querido amigo da família.

Sim. Deus é amor. - respondeu-me, com toda a convicção, alegria e naturalidade, na sua voz firme e calorosa, assim selando, dentro de mim, essa verdade para sempre.

Homens verdadeiramente simples, intrinsecamente bons e corajosos, como o Padre Amadeu Pinto, não morrem.
Vivem eternamente dentro e ao redor de todos quantos tocaram, numa presença de puro amor e luminosa inspiração.
Tornam-se árvores fortes e majestosas, que ligam a terra ao céu.
Tornam-se aves voando livres.
Tornam-se rios, correndo fortes e determinados para o mar.
E a sua voz ecoando dentro de nós, é a própria voz de Deus.


"Sede bons, fazei o bem, bem feito."
Padre AMADEU PINTO
1940-2009 - passagem pela Terra



"Os discípulos interpelaram Jesus:
-Diz-nos como é o reino dos céus.
Jesus disse:
-É como uma semente de mostarda - a mais pequena de todas as sementes - mas quando cai em terra fértil produz uma árvore grande e frondosa que dá abrigo a todos os pássaros do paraíso".

OSHO, in “A Semente de Mostarda”

segunda-feira, 16 de março de 2009



E isto é o que precisas saber.
Estás sempre só.
Solteiro, casado, com namorado ou namorada, sem namorado, entre namorados, com um, dois ou mais namorados. Numa relação aberta ou fechada. Numa amizade colorida, a preto e branco, aos quadradinhos ou às florinhas.
Estás sempre só.

Tu és um indivíduo único e nunca ninguém te conhecerá por completo. Talvez, com dedicação, um dia, tu possas chegar lá bem perto. Talvez tu, e somente tu. Ninguém mais habita a tua alma, ninguém mais sente o seu estado cambiante.
Só tu podes aspirar a saber em cada momento, o que precisas, o que te inspira, o que te move.

Estares só… é não saberes o que vai acontecer amanhã, de que forma vais crescer… é aventurares-te e descobrires!
É nascer, morrer e renascer. É enlutecer e florescer.
É atravessar canais de parto.
Só tu o podes fazer. Só tu te podes dar à luz.

Ao longo da tua vida estabeleces uma miríade de relações… tens uma família, tens um marido ou uma mulher, um companheiro, tens amigos (os reais e os imaginários), pertences a grupos, podes até ter uma comunidade.
No barulho de todas as tuas relações, tens a ilusão de não estares só.
De quanto de ti abdicas por essa ilusão?
Quanto medo tens de conheceres quem realmente és?
Sim, porque só o podes fazer no absoluto silêncio e solidão.
Só aí escutas o singular bater do teu coração.
Só aí encontras verdadeiras respostas a todas as perguntas.
São as tuas respostas.
E só sem medo de estares só, exercerás livremente as tuas escolhas.
Estares só é a experiência mais real. A que move todas as outras.
Só sabendo estar só, saberás estar com os outros.

E neste vai-vem, saberás… que só duas substâncias na vida, inevitavelmente indissociáveis, são reais.
O amor incondicional e a dor incomensurável.

(meditação matinal de uma caracoleta... enquanto corria na areia)

sábado, 14 de março de 2009

Alquimia

Quanta da beleza na nossa vida é meramente uma ilusão que se estilhaça contra o chão duro da realidade?
E que fazer com os estilhaços?




Quero ser alquimista... e aprender a transformar estilhaços em flores!

E flores... em borboletas!


quinta-feira, 12 de março de 2009

Beleza e Fealdade


Kahlil Gibran escreveu, entre tantos outros escritos que me são especiais... também esta história maravilhosa:

Deus criou o mundo e tudo o mais que era preciso. Olhou em volta e sentiu que faltavam duas coisas: beleza e fealdade. Portanto foram estas as duas últimas coisas que criou. Naturalmente, deu roupa bonita à beleza e roupa feia à fealdade. Depois mandou-as a ambas do Paraíso para a Terra.
Era uma longa viagem e, quando chegaram à Terra, elas sentiam-se cansadas e sujas de pó, portanto decidiram que a primeira coisa que iam fazer era tomar um banho. Era manhã cedo, o sol estava a nascer e elas dirigiram-se a um lago, deixaram a roupa na margem e mergulharam ambas. Era refrescante e a agradável e soube-lhes muito bem.
A beleza nadou para o meio do lago e, quando olhou para trás, ficou surpreendida: a fealdade desaparecera. Voltou para a margem e descobriu que a sua roupa também tinha desaparecido. Então a beleza compreendeu o que acontecera. A fealdade roubara-lhe a roupa e fugira.
Desde então a fealdade esconde-se nas roupas da beleza e a beleza veste obrigatoriamente a roupa da fealdade.



Citado por OSHO, que comentou assim:

É uma história bonita.
A fealdade precisa de algo atrás do qual se esconder, para a ajudar a fingir – precisa de uma máscara. A beleza nem sequer pensara nisso. Não lhe ocorrera sequer a ideia de que era possível que a fealdade lhe roubasse a roupa e fugisse.
Quando o nosso coração palpita com bondade, com bênçãos, não sentimos qualquer desejo de ser presidente ou primeiro-ministro. Não temos tempo a perder neste jogo feio das políticas de poder. Temos muita energia – essa energia vem com o bem. Criamos música, compomos poesia, esculpimos a beleza, fazemos coisas para as quais não é preciso poder. Tudo o que é necessário já nos foi fornecido. É essa a beleza do bem: é intrinsecamente poderoso.

domingo, 8 de março de 2009

10 mandamentos para a vida de uma loba



1. Come
2. Descansa
3. Passeia nos intervalos
4. Sê leal
5. Ama os filhos
6. Queixa-te ao luar
7. Apura os ouvidos
8. Cuida dos ossos
9. Faz amor
10. Uiva sempre

Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.
Clarissa Pinkola Estés
in "Mulheres que Correm com os Lobos"

segunda-feira, 2 de março de 2009

Imagina uma Mulher


Imagina uma mulher que acredita que é certo e bom ter nascido mulher.
Uma mulher que honra a sua experiência e conta as suas histórias.
Que se recusa a carregar os pecados dos outros no seu corpo e vida.

Imagina uma mulher que confia nela própria e se respeita.
Uma mulher que escuta as suas necessidades e desejos.
Que vai ao seu encontro com ternura e graça.

Imagina uma mulher que reconhece a influência do passado no presente.
Uma mulher que caminhou através do seu passado.
Que se curou ao entrar no presente.

Imagina uma mulher autora da sua própria vida.
Uma mulher que age, toma iniciativa e se move pelos seus próprios meios.
Que se recusa a render, senão ao seu verdadeiro ser e à sua voz mais sábia.

Imagina uma mulher que nomeia os seus próprios deuses.
Uma mulher que imagina o divino à sua imagem e semelhança.
Que desenha uma espiritualidade pessoal para reger a sua vida diária.

Imagina uma mulher apaixonada pelo seu próprio corpo.
Uma mulher que acredita que o seu corpo lhe basta, assim como está.
Que celebra os seus ritmos e ciclos como um recurso admirável.

Imagina uma mulher que honra o corpo da Deusa no seu corpo em mudança.
Uma mulher que celebra a acumulação dos seus anos e da sua sabedoria.
Que se recusa a usar a sua energia vital a disfarçar as mudanças no seu corpo e na sua vida.

Imagina uma mulher que valoriza as mulheres na sua vida.
Uma mulher que se senta em círculos de mulheres.
E que é recordada da verdade sobre si própria quando dela se esquece.

Imagina-te a ti como esta Mulher.



“Imagine a Woman” © Patricia Lynn Reilly, 1995
Tradução livre de Carla Guiomar.