quinta-feira, 30 de abril de 2009

Liberdade sobre rodas

A tarde do dia da Liberdade, foi celebrada da melhor forma... numa das actividades que mais prazer me dão, desde pequena. Um passeio de bicicleta pelo campo!



Rio de espigas, carreirinho de nuvens... outros caminhos que se cruzam com os caminhos de terra por onde vou pedalando... e às vezes assim é... pernas para um lado, sonhos para o outro. Os pedais a fazerem girar as ideias.



A bicicleta sempre foi para mim o meio mais gratificante de chegar, pelos meus próprios meios, a algum lugar valioso.
Simples, ecológico, árduo e prazeiroso.
Curvas e contracurvas. Subidas lentas e descidas rápidas, algumas rectas para esticar as costas e fazer contas de cabeça.
Intenso e diverso, enfim... como a vida.
E o lugar valioso a que se chega é valioso afinal, por todo o caminho que se fez para trás.

Pelo caminho, entram-me as paisagens corpo adentro, por todos os sentidos.
Converso com o vento que, ora concorda comigo... assobiando veloz, ora não... e sopra contra mim contrariado.
Uma felosa canta-me ao ouvido e acompanha-me ainda alguns metros do caminho.
Os aromas soltam-se do mato e perfumam o ar que me entra no peito e me dá a energia e o alento.
Sorrio perante um arbusto florido de rosmaninho que num instante surgiu ao meu lado, na curva.
Sorrio... e agradeço.



À minha volta, o Alentejo é uma exibição viva de estevas!




E, como é de boa educação, claro, cumprimentam-se os habitantes locais.






E já perto do anoitecer, regressa-se a casa.




Não imagino melhor viagem, que aquela em que me conduzo pelos meus meios, movida pelo meu esforço, para chegar a algum lugar... e em que, no caminho, vou chegando também a algum lugar dentro de mim. Um lugar... valioso!

sábado, 25 de abril de 2009

Abril, papoilas mil...



Papoilas, cravos e outras flores vermelhas...
A Liberdade é da cor vermelha do sangue
corre nas artérias
e fala-me tão alto como a própria vida.

domingo, 19 de abril de 2009

No Reino da Fantasia, em dia de chuva!


Tarde fria e cinzenta, excelente pretexto para um tempo bem passado na Biblioteca Municipal aqui da terra!
A Biblioteca de Santiago tem muito mais do que livros (e “só” isso já seria tão bom), mas podemos também entrar num pequeno mundo de fantasia… Visitámos um castelo, sentámo-nos no trono dos reis, passeámos na aldeia medieval, observámos a variedade de grãos, frutas, ervas, ovos de dragão e outros fantásticos víveres no mercadinho dos aldeões…




Sentados no trono:
“Se eu fosse Rei… pedia que me trouxessem 1000 ovinhos kinder!” - dizia o Rei Edu com os olhos brilhantes!
“Se eu fosse Rei… só queria que todos no meu reino tivessem paz e muito amor”. – foi a vontade expressa do Rei Leo.



A seguir lemos lendas medievais e os piratas optaram por uma sessão de cinema animado, enquanto a mãe ao lado, lia, encantada, contos de princesas e sapos…



Só saímos da Biblioteca porque tinha que fechar… de tal facto incontornável fomos gentilmente recordados pelas senhoras bibliotecárias, que por alguma estranha razão, que escapa à nossa compreensão, deveriam querer ir passar o resto do fim-de-semana a casa.
Cá fora descobrimos de novo o dia cinzento e chuvoso… viemos para casa fazer sumo quente de maçã, uma receita Viking, que descobrimos num dos livros que trouxemos para casa!
É fácil, tão saboroso e aquece mesmo cá por dentro, nestes dias de chuva!



Aqui fica a receita:

Cortem duas maçãs em gomos finos, e levem a ferver num tacho com meio litro de água, e uma colher de sopa de mel.

Eu acrescentei também 2 pauzinhos de canela, combina lindamente, não sei porque é que os Vikings não pensaram nisso!

Depois de ferver é só coar o caldo para uma chávena e beber quentinho!

Prémio Lemniscata

Com muito gosto anuncio que O Vento nas Papoilas foi um dos 7 premiados na 1ª edição dos Lemniscata Blog Awards hehehehe...



Nas palavras da sua criadora, este selo foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos leitores.

Regras do Prémio Lemniscata:

1 - O premiado deverá expor o selo no seu blog e atribuí-lo a 7 outros blogs que considere merecedores.

2 - O premiado deverá responder à seguinte pergunta: O que significa para si ser um Homo sapiens?

Pois, como habitual nestes selinhos da blogosfera... um prémio nunca vem só... Há que responder ao desafio, de dizer algo sobre "o que significa ser Homo sapiens"... o que se para os humanos é difícil, imaginem para uma caracoleta...
Garanto-vos que, nos confins da minha espiral... e enquanto enrolo os caracóis... ando a matutar no assunto!

Entretanto há que lançar o desafio a mais 7 laureados!

E são eles, ex-aequo:


RitaCor Pelo talento na arte do quilting e do patchwork, bem como o de ser Mulher, com ideias próprias, convictas e inteligentemente sustentadas, trazendo cor e atitude aos dias!

Zstitchin Pela deliciosa partilha de um ano de pedacinhos coloridos da vida, pelo olhar azul sobre os dias, no aconchego das coisas simples do lar, por entre chá, bolinhos e meias de lã, onde apetece passar e ficar! Parabéns pelo 1º aniversário!

Banalidades Pelo raro talento e sensibilidade, a dedicação valiosa e o amor puro, que coloca nas mais pequenas coisas… que de banais têm apenas a aparência!…

Para o Alto e Avante Pela fantástica órbita ;) à volta do espanto e desconcerto de se ser humano, com todas as perguntas que temos cá dentro, todas as dúvidas, todos os gritos, todas as emoções autênticas e estonteantes… a descobrir… escondidas nas mais pequenas frases que se soltam… e que são as de todos nós.

Espanta-Espíritos Pela coragem da partilha do que há de mais autêntico dentro de nós, toda a loucura, toda a verdade, toda a turbulência e serenidade do ser, espantando uns espíritos, espelhando outros… e sempre, libertando o seu!

No Céu da minha Alma Pela originalidade, espontaneidade e profundidade, e porque... nada mais divino há do que Ser Humano!

Pequete Art Journal Pela Arte, pela Natureza, e pela inspiração para uma Educação consciente!

Como sabemos, manter um blog, tal como manter uma amizade, requer tempo e dedicação, e este selinho é também um pretexto para vos deixar uma homenagem, que é também uma forma de vos dizer, um infinito obrigada por estarem aí!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amor



“Quando o amor não é uma busca, não é uma necessidade,
mas um compartilhar, ele tem uma tremenda beleza.
Aí, ninguém estará preocupado se ele vai ou não
durar para sempre”

OSHO
Palavras de verdade que acabo de ver numa página ao lado e que gravo também aqui, no vermelho das minhas papoilas

domingo, 12 de abril de 2009

Sozinha



Quem sozinha está
(disse-me uma fada)
Sozinha estará
Mais acompanhada.

Vou pela vereda
Do bosque à noitinha
E falam-me odores
E chamam-me
As flores
E os ramos também
Porque vou sozinha
No bosque à noitinha
Me sinto tão bem

E então reparo
Que o bosque flutua
Na curva onde paro
Com a luz da lua

E há flores tão brancas
E as acho tão lindas
São fadas donzelas
Caladas e belas
A dar boas vindas

Minhas brancas fadas
Da cor do luar
Estais à minha espera
Pois é Primavera
E eu vou passear

E as fadas sorriam
E então eu senti:

À luz do luar
Por sozinha andar
No bosque sem fim…
… Cada flor-donzela
Que me chama a ela
Sou eu a chamar
Chamando por mim

No bosque que eu amo
Sou eu que me chamo
Chamando-me assim:

Tudo está suspenso
E tudo o que faço
Torna mais intenso
O bosque onde passo.


Este poema lindíssimo, que me é intimamente especial, é da autoria de Luísa Barreto, e está dentro de uma obra preciosa e repleta de tesourinhos, que se chama "Pelo Caminho das Fadas".

A aguarela foi a minha entretenga deste final de tarde, e ainda está fresquinha.

Talvez porque, como disse Goethe, "Aquele a quem a natureza começa a revelar o seu segredo manifesto, sente uma aspiração irresistível para o seu intérprete mais digno: a arte."

Sozinha, mas bem acompanhada. É como me sinto, desde pequenina, no bosque da vida.

sábado, 11 de abril de 2009

Trabalhos de Casa...

Não encomendados, voluntários, personalizados e fora de qualquer currículo... são os melhores! :)

... Um altar a Ostara.. ou se preferirem.. a Aldeia da Páscoa!


Cozendo os ovos e preparando o caldo colorido...


Ovos cozidos de molho nas cores!


Lápis de cor a postos, vamos colorir a deusa!

A fada do cristal de rocha, que costuma estar sentada na estante da sala, também é nossa convidada... o cristal de rocha traz claridade e harmonia à vida!


As penas de aves... são um símbolo de ar, renovação! Os ovos e as sementes, símbolos de fertilidade.


Queimando incenso de primavera... o incenso também é um símbolo de ar, tal como Ostara.


Ostara gosta de pedrinhas coloridas!


E se forem amêndoas doces?... Melhor!


Não encontrámos cá por casa um coelho, mas temos uma rã, que dá o nome à lua cheia de Abril! Lua Rosa ou Lua da Rã!


Os anjos da guarda dos meus meninos saíram do quarto e vieram espreitar a festa... não há presépios de Páscoa?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A Este tudo de novo!

É a primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera que determina, todos os anos, a data em que se celebra a Páscoa: no primeiro Domingo que se lhe segue.
A celebração do Domingo de Páscoa logo após a Lua Cheia, permitia aos peregrinos que se dirigiam para as terras sagradas, caminharem de noite sob a luz da lua, assim se compreendendo a mobilidade deste feriado, que todos os anos segue o fiel candeeiro natural do nosso planeta.



Como a maioria dos antigos festivais pagãos, o Equinócio da Primavera foi cristianizado pela Igreja na Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.
A Páscoa, em inglês "Easter", deve o seu nome à deusa da fertilidade, Eostre (saxónica) ou Ostara (germânica), tendo recebido oficialmente o nome da Deusa após o fim da Idade Média, e que significa "movimento em direcção ao sol nascente", simbolizando da melhor forma, as forças de renascimento e renovação.

Como quase todas as festividades religiosas cristãs, também a Páscoa é enriquecida com inúmeras tradições pagãs, como os ovos de Páscoa e o coelho. Os ovos eram símbolos antigos de fertilidade oferecidos à deusa. O coelho, animal conhecido pelo seu potencial reprodutor, símbolo de renascimento e ressurreição, é o animal sagrado da Deusa Ostara.


(imagem de Acorn Hollow, site inspirador para trabalhos com crianças)

Por aqui... estou hoje com as crianças a fazer um altar a Ostara, com flores, ovos pintados, sementes, amêndoas, cristais, desenhos coloridos da deusa e animais, penas de aves e incenso. Celebrando a vida, o amor, a mudança de estações, os ciclos de vida e morte e os eternos recomeços.

Quando estiver pronto mostro :)

Páscoa Feliz!

Noite de Lua Rosa



Pela terceira vez este ano, a Lua reflecte esta noite sobre a Terra, toda a luz que recebe do Sol, na sua generosa oferenda mensal.
Tendencialmente associada à ovulação no ciclo feminino, a lua cheia propicia fertilidade e plenitude, a possibilidade de gerar vida. Simboliza o ápice de cada ciclo, o clímax, onde é total a comunhão com as forças criativas do universo. Todas as verdadeiras fadas e bruxinhas sabem que é a altura ideal para praticarem os seus feitiços de amor.



As 13 luas cheias do ano receberam, desde tempos antigos, pelas tribos de índios norte-americanos, nomes distintos que usavam para marcar as diferentes manifestações da natureza ao longo das estações do ano e as actividades humanas associadas. Mais tarde, os colonizadores europeus seguiram esse costume e criaram também alguns dos seus próprios nomes.

Eis as 13 luas cheias que nos acompanham ao longo do ano, e que aqui irei celebrando mês a mês:

Janeiro - Lua do Lobo, (ou Lua depois de Yule)
Fevereiro - Lua da Neve
Março - Lua do Corvo (ou Lua da Crosta)
Abril - Lua Rosa (também Lua da Rã ou Lua do Plantador)
Maio - Lua da Flor (ou Lua de Leite)
Junho - Lua dos Morangos (ou Lua da Rosa)
Julho - Lua do Trovão (ou Lua do Corço)
Agosto - Lua Vermelha
Setembro - Lua da Colheita
Outubro - Lua da Caçada
Novembro - Lua do Castor
Dezembro - Lua Gelada (também Lua da Noite Longa, ou Lua antes de Yule)


Esta noite de lua cheia de Abril, é noite de Lua Rosa, cujo nome recebeu inspiração do "Musgo Cor-de-Rosa", uma das primeiras flores a desabrochar espontaneamente na paisagem Norte-Americana, no início da Primavera. Apesar de assim apelidada, na verdade não é um musgo, mas sim uma angiospérmica da família das polemoniáceas, nativa da América do Norte.


"Musgo Cor-de-Rosa" (Phlox subulata)

Sabedoria ancestral de uma profunda ligação com a natureza, quase, quase.. perdida nos tempos.
Saibamos nós não perder a oportunidade de a recuperar e oferecer, como algo de verdadeiramente valioso, às nossas crianças... sob a lua luminosa e atenta.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Asas



Aqui estou.
Feita árvore de raízes
enterradas na terra
e ramos que se estendem ao céu
pedindo o abraço das nuvens,
invejando os pássaros
que brevemente poisam
antes de se lançarem
em audaciosos vôos
e coloridos bailados de penas.

Nascem cheios de verde
esperansiosos, os meus frutos.
Agitam-se em danças
e frenéticos tremores
tontos, os meus frutos.
Pareço ouvir os seus suspiros
antes de caírem finalmente
lágrimas-semente
na terra molhada
pesados de tristeza
não alcançada a grandeza...
tontos, que tontos...
Pássaros sem asas, os meus frutos.



Aqui estou.
Estes braços-ramos estão cansados.
Este corpo-tronco atordoado
entre a dor das raízes e o êxtase das folhas
e dos frutos...
lágrimas...
...sementes
ovos...
...pássaros
penas...
...asas que se erguem no céu!
Tontos.. que tontos!...
Bêbados de felicidade,
os meus frutos!



(7Set93... bebedeiras de escrita)