domingo, 12 de abril de 2009

Sozinha



Quem sozinha está
(disse-me uma fada)
Sozinha estará
Mais acompanhada.

Vou pela vereda
Do bosque à noitinha
E falam-me odores
E chamam-me
As flores
E os ramos também
Porque vou sozinha
No bosque à noitinha
Me sinto tão bem

E então reparo
Que o bosque flutua
Na curva onde paro
Com a luz da lua

E há flores tão brancas
E as acho tão lindas
São fadas donzelas
Caladas e belas
A dar boas vindas

Minhas brancas fadas
Da cor do luar
Estais à minha espera
Pois é Primavera
E eu vou passear

E as fadas sorriam
E então eu senti:

À luz do luar
Por sozinha andar
No bosque sem fim…
… Cada flor-donzela
Que me chama a ela
Sou eu a chamar
Chamando por mim

No bosque que eu amo
Sou eu que me chamo
Chamando-me assim:

Tudo está suspenso
E tudo o que faço
Torna mais intenso
O bosque onde passo.


Este poema lindíssimo, que me é intimamente especial, é da autoria de Luísa Barreto, e está dentro de uma obra preciosa e repleta de tesourinhos, que se chama "Pelo Caminho das Fadas".

A aguarela foi a minha entretenga deste final de tarde, e ainda está fresquinha.

Talvez porque, como disse Goethe, "Aquele a quem a natureza começa a revelar o seu segredo manifesto, sente uma aspiração irresistível para o seu intérprete mais digno: a arte."

Sozinha, mas bem acompanhada. É como me sinto, desde pequenina, no bosque da vida.

4 comentários:

joão disse...

http://wwwjosemalm.blogspot.com

Banalidades disse...

Querida Caracoleta!
Quem escreve (ou selecciona) e pinta assim nunca pode estar sozinha!
Lindo poema e aguarela muito sugestiva! Sempre numa aliança perfeita. Jinhos.

Mariana disse...

Linda Caracoleta!

Que belo poema, que belo poema.

Paz e Consciência num abraço apertadinho

claroazul disse...

Combinação perfeita. A aguarela reflecte claramente o estado de espírito. Parabéns