domingo, 28 de junho de 2009

Poetry arrived


And it was at that age... Poetry arrived
in search of me. I don't know, I don't know where
it came from, from winter or a river.
I don't know how or when,
no, they were not voices, they were not
words, nor silence,
but from a street I was summoned,
from the branches of night,
abruptly from the others,
among violent fires
or returning alone,
there I was without a face
and it touched me.

I did not know what to say, my mouth
had no way
with names
my eyes were blind,
and something started in my soul,
fever or forgotten wings,
and I made my own way,
deciphering
that fire
and I wrote the first faint line,
faint, without substance, pure
nonsense,
pure wisdom
of someone who knows nothing,
and suddenly I saw
the heavens
unfastened
and open,
planets,
palpitating plantations,
shadow perforated,
riddled
with arrows, fire and flowers,
the winding night, the universe.

And I, infinitesimal being,
drunk with the great starry
void,
likeness, image of
mystery,
I felt myself a pure part
of the abyss,
I wheeled with the stars,
my heart broke free on the open sky.


Pablo Neruda

domingo, 21 de junho de 2009

Sonho de um Solstício de Verão



O sol entra no solstício de Verão hoje, dia 21 de Junho, às 6h46 da manhã.

É durante este dia que se celebra LITHA, uma festividade celta, que comemora e honra o elemento SOL como símbolo da VIDA. Certamente não por acaso, o mesmo dia em que celebro o meu nascimento.

O Solstício do Verão acontece quando o Sol atinge o Trópico de Cancer e se experimenta na Terra, a noite mais curta e o dia mais longo do ano.

Nesta noite, festeja-se a despedida do reinado do Deus do Carvalho (Senhor do Ano Crescente) e o início do reinado do Deus do Azevinho (Senhor do Ano Decrescente) que durará até Yule (solstício de Inverno), em oposição, o dia mais curto do ano.

Os antigos Povos da Europa acreditam que esta noite é propícia ao encontro com criaturas mágicas como fadas e duendes, que andam a correr pelos campos e florestas. Talvez a minha ligação, desde sempre, ao universo místico das fadas e criaturas da floresta, não seja indiferente ao facto de ter nascido neste dia...

Todas as formas de magia (especialmente as do amor) são extremamente potentes na véspera do Solstício do Verão, e acredita-se que aquilo que for sonhado nesta noite se tornará realidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Porque é o acontecimento do dia!


De manhã o Leonardo chegou à escola, entrou na sala e, silenciosamente, deixou uma mensagem a toda a turma. Trata-se, obviamente, de um acontecimento demasiado importante para se permitir que passe despercebido a alguém!

A cumplicidade entre irmãos é ou não é uma coisa fantástica?... :)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Batuque e Amor, muito e sempre!


Chegou hoje no correio...
Que alegria!
Da outra margem de um oceano... o Batuque do Ney Matogrosso, com "amor, muito e sempre"...
Minha querida e doce amiga Grace, menina toda feita de poesia, da cor do chocolate...
Meu reflexo tropical, do outro lado do espelho Atlântico!
Obrigada!
Adorei a embalagem "cafona" cheia de selinhos, adorei o som bem ritmado que agora anda comigo a dar as boas-vindas ao Verão, e adoro-te a ti!

Deixa ser pelo coração!



Só falta abandonar a velha escola
Tomar o mundo feito coca-cola
Fazer da minha vida sempre o meu passeio público
E ao mesmo tempo fazer dela o meu caminho só, único

Talvez eu seja o último romântico
Dos litorais desse oceano atlântico
Só falta reunir a zona norte à zona sul
Iluminar a vida já que a morte cai do azul

Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar, ser gente grande pra poder chorar

Me dá um beijo então, aperta minha mão
Tolice é viver a vida assim sem aventura
Deixa ser pelo coração
Se é loucura então, melhor não ter razão.

domingo, 14 de junho de 2009

Dias Felizes!



Ontem no Monte do Paio, à beira da Lagoa de Santo André...
Há dias em que sabemos... que o Paraíso é mesmo um lugar na Terra.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Perpétuo movimento



Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.



"Pedra Filosofal", de António Gedeão
In Movimento Perpétuo, 1956

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Inextinguível amor


Não sei, mas o amor incendeia-me.
É uma chama inextinguível. Tenho tanto disso, que quero dá-lo a todos, e dou.
É como um grande rio, que alimenta e rega cada vila e aldeia. Ele vai sendo poluído, desagua nele a porcaria do ser humano, mas depressa as águas se purificam a si próprias e rapidamente segue em frente.
Nada pode estragar o amor, pois todas as coisas se dissolvem nele - o bom e o mau, o feio e o belo. O amor é algo que é a sua própria eternidade.


J. Krishnamurti, Cartas a uma Jovem Amiga.
(Imagem do filme "The Feast of Love").

domingo, 7 de junho de 2009

Mãe



Encontro-me
Nos teus braços
As lágrimas secas
Pelos teus dedos
O medo acalmado
Pela tua voz
Um sorriso despertado
Pelo teu rosto
Agora tudo está bem
O bater do teu coração
É o embalo do silêncio
E o resto do mundo
Não existe.

Carla Guiomar
1995

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pergunta às Montanhas...



Ask the mountains
Wild woods, highlands
Ask the green in the woods and the trees
The cold breeze coming in from the sea

Ask the mountains
Springs and fountains
Ask the sun that lightens up the sky
When the night gives in, to tell you why



E tudo o que precisas saber, ecoará dentro de ti, com o inequívoco sabor da verdade.