segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Coração Habitado


Aqui estão as mãos
São os mais belos sinais da terra
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam que são as mãos de Deus,
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram indiferentemente.

Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.


Eugénio de Andrade

sábado, 1 de agosto de 2009

Feliz Lughnasadh!


No dia 1 de Agosto celebra-se Lughnasadh (ou Lammas), a Festa do Pão, em honra ao Deus Lugh, Deus da Luz e do Fogo. Lughnasadh é um dos oito Sabates ou festivais solares na Roda do Ano Wiccan, baseada na alternância natural das estações. É o primeiro dos três festivais de colheitas do Outono, seguindo-se o Equinócio de Outono (Mabon) e a Festa dos Finados (Samhain).

Esta festividade pagã, que ocorre entre o Solstício de Verão (Litha) e o Equinócio de Outono (Mabon), marca o início da época da colheita, uma época de agradecimento por tudo o que colhemos. Não só o que sentimos como bom, mas também o que percepcionámos como mau. Pois tudo o que recebemos faz parte do nosso caminho evolutivo pessoal.



Nas searas da vida, saboreamos aquilo que amadureceu. Observamos o que colhemos, repensamos o que semeámos, medimo-nos entre o que somos e o que queremos ser. Somos nós a semente de nós próprios. É um tempo de reflexão e libertação, em que se fecham ciclos e se dissolvem padrões de existência. É tempo de abrir novos caminhos, numa festa de alegria e de despedida.

Curiosamente, Lughnasadh tem também um nome mais antigo - Brón Trogain - que se refere ao doloroso trabalho de parto. Pois nesta época do ano, a Terra dá à luz os seus primeiros frutos, para que os seus filhos possam viver.

Esta é assim uma festa de dor e de luz.
E é verdade que a segunda não chega, sem se ter atravessado a primeira.

Feliz Lughnasadh!