sábado, 26 de setembro de 2009

Soneto de Separação



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinicius de Moraes

3 comentários:

Castelo de Asgard disse...

Adoro este poema :)!...

Luz & Paz

Ariadne

Layara disse...

essa poesia é Linda...perfeita...
de repente fez-se da vida uma aventura errante...

fazemos isso por vezes.

Beijos do meu Horizonte!

Stephen Gray disse...

Not sure the translation is good but in English this really captures the feeling of losing a love...
Suddenly laughter was turned to sorrow
Silent and white like the mist
And mouths joined together were turned to foam
And hands drove away what once they welcomed.

Suddenly the calm was turned to wind
That blew out the last flame in the eyes
And passion was turned to foreboding
And the frozen moment was turned to drama.

Suddenly, no more than suddenly
The lover was transformed in sadness
And contentment into solitude.

The close friend became a distant one
Life became a wandering adventure
Suddenly, no more than suddenly.