quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um ano de vento nas papoilas


Por aqui, ao longo das estações de um ano, o vento soprou sobre as papoilas... e sobre todas as paisagens da alma, soltando letrinhas e emoções, borboletas esvoaçantes, marinheiras, emigrantes... porque um dia, eu quis...

... partilhar sem medo, dar o que tenho, o melhor que puder... em vez de o guardar em silêncio por achar que nunca o consigo exprimir tão bem quanto gostaria...

... disciplinar-me, comprometer-me, fazer, mergulhar, descobrir, tentar, insistir, corrigir, e só assim, melhorar...

... registar, olhar-me, recordar... sorrir, chorar, aprender, avançar...

... dar... e receber... e agradecer...

... a companhia nesta viagem.

(((Obrigada)))

domingo, 20 de dezembro de 2009

Yule, ou o meu Natal

Amanhã, 21 de Dezembro, é o dia mais curto... e segue-se a noite mais longa do ano.

Apetece-me recordar o magnífico presente que recebi dos ceús, exactamente no solstício de Inverno do ano passado. O mais belo pôr-do-sol que pude até hoje contemplar. Um presente de Natal verdadeiramente Divino!

(Praia das Furnas, 21 de Dezembro de 2008)

Yule, a festividade do Solstício de Inverno, que marca, no calendário celta, o ponto médio da estação fria, é a celebração do renascimento do Sol, com origem na velha palavra Nórdica Jul, que significa Roda de Fogo. A noite mais longa ficará para trás... dando à luz dias cada vez mais longos. Tocámos o extremo e de novo caminhamos para o equilíbrio. É a lição do Sol.

Para mim, que nasci na antípoda deste dia, no solstício oposto - o do Verão - este momento marca especialmente, o início do regresso.

Pois o Yule... é o Natal pagão original, que foi posteriormente cristianizado e mais recentemente "comercializado" (a mais moderna das religiões...)

Os rituais modernos que hoje conhecemos, associados ao dia de Natal, remontam na verdade, a costumes pagãos que datam da era pré-cristã e eram então, bem repletos de significado.

A tradição de decorar árvores de Natal, por exemplo, desenvolveu-se a partir dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore são, originalmente, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na Árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Na festa do Natal, as histórias de antepassados são recordadas, os laços entre os presentes são fortalecidos, a identidade da família é nutrida.




No Yule, encontro o verdadeiro e simples Natal, o único que me faz sentido.

O meu Natal é a celebração do amor que une uma família, o mesmo amor que tem em si o poder de unir também uma comunidade humana maior. Para esse Amor maior, a nossa família de nascimento é, sem dúvida, o mais precioso e incontornável modelo: a primeira e mais poderosa escola natural que nos abre portas para o mundo e para dentro de nós. É aí que tudo começa, tudo nasce. O verdadeiro e simples Natal é uma festa de luz e calor humano, no meio da longa noite escura, recordando o amor como a primordial lição e celebrando a nossa eterna ligação aos ciclos da Mãe natureza, a fonte inesgotável da esperança. Este é o meu Natal.

E assim entramos "oficialmente" no Inverno, que é já, e sempre, uma inevitável promessa de Verão...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Um dia bom







Um dia bom.

Caminhar pelas pedras, saltar ribeiras, apanhar mirtilos, púcaras, bogalhos e raminhos, folhas de todos os tons de verde, castanho, vermelho e amarelo... dourado!

O cheiro do mato que fica na roupa e no cabelo... a paz que fica dentro de mim.


Um almocinho de petisco à minha espera, migas de púcaras à alentejana, fez a minha mãe.
Um bom café a seguir, fiz eu.

Chegar a casa, ir buscar lenha, acender o lume, cheirar a fumo.

Com os mirtilos que trouxe do campo, fazer geleia, deitar açúcar, testar o ponto, lamber os dedos...


E já é preciso ir buscar mais lenha.


Um tordo caído sem vida no quintal, bateu na janela... seguro o seu corpo ainda quente e assim me deixo ficar. A vida é tão frágil, e tão bela, para além de qualquer explicação.
Alimento o lume que esmorece.



O meu sofá, o meu livro. Silêncio... Crepita o lume... O passar das folhas. O passar de mim pelas palavras, o rasto que elas me deixam... de luz e de fumo... por onde desço e ondulo. E entre o livro que leio, a minha história que se entre-escreve.

Como sempre, as coisas simples. E eu, comigo. Tão simples como todas as outras coisas.

Um dia bom.