domingo, 13 de dezembro de 2009

Um dia bom







Um dia bom.

Caminhar pelas pedras, saltar ribeiras, apanhar mirtilos, púcaras, bogalhos e raminhos, folhas de todos os tons de verde, castanho, vermelho e amarelo... dourado!

O cheiro do mato que fica na roupa e no cabelo... a paz que fica dentro de mim.


Um almocinho de petisco à minha espera, migas de púcaras à alentejana, fez a minha mãe.
Um bom café a seguir, fiz eu.

Chegar a casa, ir buscar lenha, acender o lume, cheirar a fumo.

Com os mirtilos que trouxe do campo, fazer geleia, deitar açúcar, testar o ponto, lamber os dedos...


E já é preciso ir buscar mais lenha.


Um tordo caído sem vida no quintal, bateu na janela... seguro o seu corpo ainda quente e assim me deixo ficar. A vida é tão frágil, e tão bela, para além de qualquer explicação.
Alimento o lume que esmorece.



O meu sofá, o meu livro. Silêncio... Crepita o lume... O passar das folhas. O passar de mim pelas palavras, o rasto que elas me deixam... de luz e de fumo... por onde desço e ondulo. E entre o livro que leio, a minha história que se entre-escreve.

Como sempre, as coisas simples. E eu, comigo. Tão simples como todas as outras coisas.

Um dia bom.

3 comentários:

Banalidades disse...

Com tanta naturalidade... Um dia tão bom!
Adorei lê-la! Pedaços de vida num conto transparente, onde uma alma transparente se interpenetra!
Uma sedução, essa vida tão sem igual, onde as pequenas coisas se tornam magnificamente sublimes!
Já lambi os dedos, já pus mais lenha no fogo, já fiz o café, já olhei as aves, que frágeis, esbatem contra a janela e, no campo, também colhi folhas de todas as cores!
Jinhos no seu coração!

Caracoleta disse...

E o meu coração sorri. Obrigada pelo seu toque sempre especial :)

Maternidade Natural disse...

Hummm, sabe bem ler este post.
Uma escrita bela e que senti.
beijinho
sofia