domingo, 20 de dezembro de 2009

Yule, ou o meu Natal

Amanhã, 21 de Dezembro, é o dia mais curto... e segue-se a noite mais longa do ano.

Apetece-me recordar o magnífico presente que recebi dos ceús, exactamente no solstício de Inverno do ano passado. O mais belo pôr-do-sol que pude até hoje contemplar. Um presente de Natal verdadeiramente Divino!

(Praia das Furnas, 21 de Dezembro de 2008)

Yule, a festividade do Solstício de Inverno, que marca, no calendário celta, o ponto médio da estação fria, é a celebração do renascimento do Sol, com origem na velha palavra Nórdica Jul, que significa Roda de Fogo. A noite mais longa ficará para trás... dando à luz dias cada vez mais longos. Tocámos o extremo e de novo caminhamos para o equilíbrio. É a lição do Sol.

Para mim, que nasci na antípoda deste dia, no solstício oposto - o do Verão - este momento marca especialmente, o início do regresso.

Pois o Yule... é o Natal pagão original, que foi posteriormente cristianizado e mais recentemente "comercializado" (a mais moderna das religiões...)

Os rituais modernos que hoje conhecemos, associados ao dia de Natal, remontam na verdade, a costumes pagãos que datam da era pré-cristã e eram então, bem repletos de significado.

A tradição de decorar árvores de Natal, por exemplo, desenvolveu-se a partir dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore são, originalmente, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na Árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Na festa do Natal, as histórias de antepassados são recordadas, os laços entre os presentes são fortalecidos, a identidade da família é nutrida.




No Yule, encontro o verdadeiro e simples Natal, o único que me faz sentido.

O meu Natal é a celebração do amor que une uma família, o mesmo amor que tem em si o poder de unir também uma comunidade humana maior. Para esse Amor maior, a nossa família de nascimento é, sem dúvida, o mais precioso e incontornável modelo: a primeira e mais poderosa escola natural que nos abre portas para o mundo e para dentro de nós. É aí que tudo começa, tudo nasce. O verdadeiro e simples Natal é uma festa de luz e calor humano, no meio da longa noite escura, recordando o amor como a primordial lição e celebrando a nossa eterna ligação aos ciclos da Mãe natureza, a fonte inesgotável da esperança. Este é o meu Natal.

E assim entramos "oficialmente" no Inverno, que é já, e sempre, uma inevitável promessa de Verão...

4 comentários:

Castelo de Asgard disse...

Boas Festas :)!!

Lua & Paz

Ariadne

Michelle Lima disse...

Olá Carlita...

desconhecia a verdadeira origem do natal... é muito bonita e com muito mais significado que o natal da coca-cola :)

Também desconhecia este teu blog, é muito bom, gostei da leitura e da paz que senti.

" um passo atrás não é sinal de fraqueza mas sim de sabedoria e coragem." Sun Tzo em A arte da Guerra.


bjus grande e aproveita bem esses dias de férias

Banalidades disse...

Como é bom sentir que o Inverno já nos acena com a promessa do Verão!
Como nos toca esta forma tão original de nos falar de Natal...

A Casa Onde Vivemos... disse...

o teu Natal é verdadeiro, caloroso, sentido e partilhado...
tal como todos os teus textos.
Que 2010 te encontre feliz e serena, querida Caracoleta.
muitos abraços
isabelle