sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Meditação para um novo ano

On this cold winter day, may the light of pure love warm up our souls, and shine through the confusion of our lives, as pure love is our true nature and our greatest source of wisdom.

***

Neste dia frio de Inverno, que a luz do amor puro aqueça as nossas almas, e brilhe através da confusão das nossas vidas, pois o amor puro é a nossa verdadeira natureza e a nossa maior fonte de sabedoria.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Escolhas

Há uns tempos atrás, numa formação em que me encontrava, uma colega partilhou com o grupo, o seu desassossego relativamente às escolhas que temos que fazer na vida... como saber qual a escolha certa?... perguntava ela. E daí partiu esta minha reflexão.


Todos os dias somos confrontados com a necessidade de escolher. Desde o que vamos comer ao pequeno-almoço ou que atitude tomar perante uma situação que nos incomoda, onde investir os nossos recursos mais preciosos, o nosso tempo, o nosso dinheiro, a nossa energia?
Certamente que há escolhas mais técnicas, no nosso dia-a-dia, como a escolha de um bem material ou de um serviço, para responder a uma necessidade prática. Mas há também as escolhas que têm o potencial de causar um maior impacto na nossa vida, e que se podem apresentar de forma mais evidente ou mais subtil. E neste último caso, é importante percebermos que podemos escolher, apercebermo-nos das opções à nossa frente. Mesmo quando nos sentimos encurralados, sem opções... ainda assim, podemos escolher como nos sentimos e transformar a nossa realidade.
Todos sabemos também quão difícil, por vezes, é escolher. Quantas vezes ficamos perdidos entre as nossas próprias percepções daquilo que podemos ganhar e daquilo que podemos perder, como resultado das escolhas que fazemos?
Gerir o poder de escolha, com todas as suas implicações criativas e espirituais, é essencial à experiência humana. A evolução da humanidade desenha-se numa rede de escolhas interdependentes desde o início da nossa história. A escolha é o processo de criação em si. Que mecanismos estão por trás das escolhas que fazemos e que grau de consciência temos dos mesmos?
Nunca conhecemos totalmente o desfecho de uma escolha que fazemos. Há sempre uma componente de imprevisibilidade, de cenários que não podemos controlar. Mas também perante essa incerteza e imprevisibilidade, novamente é nossa a escolha de que atitude queremos tomar.
O que é então uma escolha certa? Como se mede a qualidade de uma escolha? Que critérios poderemos usar?
Será que faz sentido avaliarmos se uma escolha é certa ou errada pelo desfecho da mesma, avaliado a posteriori? Se assim for, nunca poderemos responsabilizarmo-nos totalmente pela qualidade das nossas escolhas, pois não podemos controlar inteiramente o desfecho... Em cada momento, fazemos uma escolha com base na melhor informação disponível e na nossa entrega consciente, honesta e humilde, à análise dessa informação e à atribuição de um sentido à nossa escolha. Por mais trivial que a escolha possa parecer, este processo, podendo ser mais simples ou mais complexo, mais rápido ou mais demorado, está sempre ao nosso alcance. É ele que marca a nossa individualidade e a nossa presença e expressão única no mundo.
Uma escolha de vida enraíza-se profundamente na nossa intenção, nas razões do nosso coração para seguir um caminho. Só podemos conhecer a nossa intenção, se conseguirmos escutar a nossa voz interior. Afastar todo o ruído que nos rodeia, que se dispõe à nossa volta em camadas, na forma de opiniões, condicionamentos, preconceitos, todas as formas de poder externo que inconscientemente aceitamos. A qualidade de uma escolha está directamente ligada à qualidade da intenção que está na base da mesma. Quanto mais pura e autêntica é a intenção que nos move numa escolha, estaremos mais preparados para aceitar e compreender as consequências.
Que razões nos levam a escolher A ou B? No total silêncio, em total honestidade, conseguimos escutar as reais motivações que nos impelem para uma decisão? Que energia nos domina, o medo ou o amor? Estamos perante uma escolha de medo ou uma escolha de fé? Estamos perante uma fuga a algo que gostaríamos de evitar mas que precisamos enfrentar ou inspira-nos um sonho, uma visão? A escolha que estamos prestes a fazer está alinhada com o nosso sistema de valores? Respeita o nosso plano de vida, a nossa ética pessoal, as nossas prioridades?
Quantas vezes pensamos que estamos a escolher, quando na verdade a escolha é feita por alguém ou algo, a quem nós entregamos o poder de fazer essa escolha. Seja porque nos julgamos incompetentes, porque temos medo, porque procuramos quem se responsabilize por nós. Mas quando entregamos essa responsabilidade, entregamos também a nossa liberdade.
O que é que está, efectivamente, ao nosso alcance controlar ou influenciar? Aquilo que mais ninguém pode fazer por nós. O grau de consciência que temos da nossa verdadeira intenção: a intenção da nossa alma. Alinhar as nossas escolhas terrenas, com um sentido maior, o propósito da alma, a parte de nós que é eterna, significa deter poder autêntico nas nossas vidas e assim, a capacidade de influenciar positivamente o nosso destino.
Todos temos desejos, sonhos, valores, vontades... mas é em cada decisão, e sobretudo, na coerência e consistência das nossas várias decisões, que criamos a nossa realidade, e inspiramos também a criação da realidade dos outros à nossa volta.
Gerir a autenticidade das nossas escolhas é uma importante responsabilidade, não a única, mas certamente, pessoal e intransmissível.

domingo, 21 de novembro de 2010

Um caso de amor



..."Um verdadeiro criador não é, de todo, um criador. Um verdadeiro criador torna-se instrumental. Ele é possuído pelas grandes forças. As forças selvagens de Deus possuem-no. Os mares e os céus selvagens de Deus possuem-no. Ele torna-se um bocal. Ele pronuncia-se, mas não são suas as palavras. Ele pinta, mas não são suas as cores. Ele canta, mas não seus os sons. Ele dança, mas dança como se possuído – alguém dança através dele.
A questão é… se o teu ego desaparece na meditação, o que acontecerá ao teu trabalho? Se é uma profissão, irá desaparecer, e é bom que desapareça. Ninguém deveria ser um profissional. O teu trabalho deveria ser o teu amor. Se assim não for, o trabalho torna-se destrutivo. Então de alguma forma arrasta-lo e toda a tua vida se torna baça. Torna-se vazia, não realizada. Estás a fazer algo que desde logo nunca quiseste fazer. É violento. É suicida. Estás a matar-te lentamente, envenenando o teu próprio sistema. O teu trabalho deveria ser o teu amor, a tua oração. Não a tua profissão.
Deveria haver paixão fluindo entre ti e o teu trabalho. Quando verdadeiramente encontraste a tua vocação, é um caso de amor. Não é que o tenhas que fazer. Não é que tenhas que te forçar a fazê-lo. Subitamente, fá-lo de uma forma totalmente diferente que não conhecias antes. Os teus passos têm uma dança diferente, o teu coração zumbe. Todo o teu sistema funciona pela primeira vez no seu óptimo. É uma realização. Através dela encontrarás o teu ser – tornar-se-á o teu espelho, irá reflectir-te. O que quer que seja. Uma pequena coisa.
Não são só as grandes coisas que se tornam vocações, não. Uma coisa pequena. Podes fazer brinquedos para crianças, ou sapatos, ou tecer roupa, ou qualquer outra coisa.
Não importa o que é, mas se o amas, se te apaixonaste por isso, se fluis sem reservas, se não te estás a conter, se não te estás a arrastar – estás a mover-te numa dança – irá purificar-te. O teu pensamento, pouco a pouco, desaparece. Será uma música silenciosa, e pouco a pouco, sentes que não é apenas trabalho. É o teu ser. A cada passo realizado, algo em ti floresce.
E rico é o homem que encontrou a sua vocação. E mais rico é o homem que encontra realização pelo seu trabalho. Então toda a vida se torna uma adoração.
O trabalho deveria ser uma adoração, mas isso é possível apenas quando o teu ser se torna mais meditativo. Pela meditação reunirás coragem para abandonar a profissão e caminhar para a vocação".

OSHO, Yoga: The Alpha and Omega. Vol. 7. Ch. 6.
Tradução livre de Carla Guiomar.




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Nothing gold can stay




Nature's first green is gold,
Her hardest hue to hold.
Her early leafs a flower;
But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf.
So Eden sank to grief,
So dawn goes down to day.
Nothing gold can stay.


(Robert Frost, 1923, New Hampshire)

I was just reading this, this morning, tasting words along with my cappucino, as I get to the last pages of Stephen Cope's "The Wisdom of Yoga", and I felt myself floating all day in it.
Perception of beauty, I know, is something so simple as this deep resonance with the most intimate truth our heart holds.
True beauty hurts. Pleasure and pain become one and the same. Sadness and joy, as well.
All emotions in one, slowly become no emotion at all, as they are cooked in the fire of consciousness...
Awareness rises above, contemplating, this deep, intense, sense of beauty and a strange kind of peace.
This fire is where broken hearts burn and melt, and expand... and go on pulsing love and blood... forever broken, forever open.
This fire... this love... is all there is. All the invisible gold has always been here, behind my eyes.

domingo, 7 de novembro de 2010

The moment


I took this picture 3 weeks ago, in Point Pleasant Park, Halifax, Nova Scotia.
There is only this brief moment in time when the little sailboat moving, is perfectly captured in the right place of a meaningful composition. As with everything else in life...

Be present for that moment.
Then you can, and must, let it pass you by.
Like the air you breathe, all is continuously moving.
Everything changes. Nothing stays the same.
Keep breathing. Keep moving.
And be grateful for that memory of happiness.
When you live it fully, every moment becomes eternal.

As an ancient sanskrit poem says:

Look to this day
for it is life
the very life of life.
In its brief course lie all
the realities and truths of existence
the joy of growth
the splendor of action
the glory of power.
For yesterday is but a memory
And tomorrow is only a vision.
But today well lived
makes every yesterday a memory
of happiness
and every tomorrow a vision of hope.
Look well, therefore, to this day....
~~

Live it well!

domingo, 31 de outubro de 2010

Samhain



Samhain - o fim do Verão... e o início de um novo ano no velho e sábio calendário celta.
Aqui vamos nós de novo para a metade escura do ano. O escuro onde tudo começa. Um mergulho na sombra, há que olhar para dentro. Morre o que tem que morrer, tudo se recolhe e descansa. Para que o novo nasça quando tiver que nascer. Samhain é a Terra que menstrua. Sabiamente, com amor, se desprende do que já não lhe faz falta. Para se reinventar a si mesma.
~ * ~
Samhain - the end of Summer... and the beginning of a new year in the old and wise celtic calendar.
Here we go again, into the dark half of the year. The dark where everything is born. A dive in the shadow, a deep long look inside. Dies that which has to die. Everything withdraws and takes a rest. So that the new will be born when it is time. Samhain is the menstruating Earth. Wisely, with love, She lets go of what is no longer needed. And reinvents Herself.

domingo, 24 de outubro de 2010

Eat, Yoga, Love



Da Nova Escócia, Canadá, chegou há dias uma nova Carla.
Pois, porque a que partiu no dia 1 de Outubro, já não existe. Dissolveu-se algures entre o grito de uma águia americana nas águas de Prospect Bay e o trinado das cordas de um violino, entre o bater de pés num celeiro em Cape Breton.
Ter pisado aquela terra foi a realização de um sonho de uma vida... que mexeu comigo mais do que eu podia imaginar. Que felicidade para esta minha alma de emigrante... finalmente conhecer o Novo Mundo.
Até podia dizer que estes 18 dias de Outono, na outra costa do Atlântico, foram uma espécie de condensado pessoal de Eat, Pray, Love, dois anos depois de ter vivido essa outra viagem nas páginas de Elisabeth Gilbert. Neste caso, poderia dizer que foi mais um Eat, Yoga, Love. Não tanto um livro inteiro... parece-se mais com um breve prefácio anunciando o resto da minha vida. O Novo Mundo.
A viagem apenas começou.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O lugar da alma



Hoje partilho aqui um resumo que fiz de um dos livros que li recentemente, de Gary Zukav, autor que me chamou a atenção há uns anos quando o vi no talk-show da Oprah Winfrey, pois atraíu-me o conceito sobre o qual estava a falar, o conceito de parceria espiritual, que está na base do seu livro mais recente, acabadinho de sair: “Spiritual Partnership”. Mas esse fica para outra revisão.

Gary Zukav é mais conhecido por ser o premiado autor de “The Dancing Wu Li Masters,” um ensaio sobre a nova Física, que data de 1979.
Em “O Lugar da Alma”, que publicou 10 anos depois, Gary Zukav fala-nos de uma grande visão, partilhada por importantes pensadores, que apelida de místicos, como Carl Jung, Niels Bohr e Albert Einstein, que excedia aquilo que eram capazes de transmitir directamente na sua obra, usando a linguagem e o modelo científicos.
Ao explicar a atracção magnética que sentia pelas obras destes autores, Gary Zukav, entende a motivação dos mesmos como um empenho de mente e alma em algo que os fez alcançar “aquele lugar extraordinário onde a mente já não conseguia produzir a informação do tipo que pretendiam”. Estes homens entraram no território da inspiração onde as suas intuições aceleraram e souberam que havia mais alguma coisa para além do domínio do tempo, do espaço e da matéria, algo mais do que a vida física.
Esta grande visão, que atrai cada vez mais cada um de nós, é uma força emergente, que constitui o próximo passo da nossa jornada evolutiva. Uma força que a Humanidade anseia tocar, mas que é ainda difícil de descrever uma vez que o vocabulário apropriado ainda não nasceu.
E é no seio desta visão, que o autor nos apresenta, em “O Lugar da Alma”, um tratado de evolução da espécie humana, descrevendo a transição do homem pentasensorial para o homem multisensorial, ou seja, o surgimento de um sistema de experiência humana menos limitado, e mais adequado aos tempos actuais de mudança profunda.
O livro divide-se em quatro secções: Introdução, Criação, Responsabilidade e Poder. Por sua vez, cada uma delas se subdivide em 4 capítulos.
Neste Lugar da Alma, Gary Zukav, disserta sobre conceitos como a Evolução, Karma, Reverência e Coração, Intuição, Luz, Intenção, Escolha, Dependência, Relações, Almas, Psicologia, Ilusão, Poder e Confiança.
O autor começa por reflectir sobre a necessidade de alinhar o nosso entendimento de evolução, com um entendimento mais profundo, validando a nossa verdade mais íntima, que reconhece os seres mais evoluídos como aqueles que são altruístas e valorizam mais o amor do que o mundo físico. A sobrevivência física é assim um critério de evolução ultrapassado que fazia sentido apenas para o homem pentasensorial, associado à percepção do poder como exterior e a um modelo competitivo de existência.
O nosso entendimento mais profundo conduz-nos a um outro tipo de poder, um poder que ama a vida em todas as suas formas, que não julga o que encontra, que percepciona significado e propósito nos mais pequenos pormenores sobre a Terra.
No quadro de referência alargado do homem multisensorial, conseguimos distinguir a personalidade da alma, sendo que a primeira é a parte de nós que nasceu, vive e há-de morrer dentro do tempo, e que constitui o veículo da nossa evolução e a alma é a parte mais elevada e imortal do nosso Ser, cuja energia é reconhecida, aceite e valorizada pela personalidade multisensorial.
Como nos revela Gary Zukav, quando a personalidade passa a servir totalmente a energia da sua alma, ocorre o empoderamento autêntico. A busca desse poder autêntico, que se traduz na procura do alinhamento da personalidade com a alma, é a etapa evolutiva em que se encontra agora a Humanidade.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mudar


Há alturas na vida em que sentimos um formigueiro cá dentro, algures entre o estômago e o coração... e que cresce de dia para dia, até não poder mais ser ignorado.

Não estamos bem como estamos, onde estamos. Cansámo-nos. Não há mais por onde crescer. E há uma inquietação crescente...
Há o céu para voar... uma visão que nos chama, um outro lugar à nossa espera. Um lugar único e pessoal, a ser criado por nós, pelo nosso amor, pela nossa coragem. Só não sabemos ainda o que fazer, que passos dar, para chegar onde queremos.

Quando a nossa existência está alinhada com a nossa alma, há sinais no caminho que não nos passam despercebidos, tudo à nossa volta está recheado de significado profundo.

Tudo o que tem valor para nós, aqui e ali, dia após dia, se apresenta com clareza, sob todas as formas, todas as cores, todos os nomes. Liga-se e entrelaça-se... de uma forma harmoniosa, perfeita. Numa frequência comum. Na vibração do nosso mais íntimo e vital desejo. Na temperatura da nossa paixão.

Demore o tempo que tem que demorar, sabemos que estamos a caminhar para lá, activamente, atentamente, conscientemente, com todo o poder da nossa intenção.


Como diz Gary Zukav em "Soul to Soul - Communications of the Heart"
Não há vento que possa fazer cair um fruto antes de este estar maduro, e quando este está maduro, nada o consegue aguentar no ramo.

E é assim mesmo. Com toda a serenidade. Um dia, chega um momento em que, simplesmente, e naturalmente, sabemos que é altura de abrir as asas e... mudar.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

On Love



When love beckons to you, follow him,
Though his ways are hard and steep,
And when his wings enfold you yield to him,
Though the sword hidden among his pinions may wound you.

And when he speaks to you believe in him,
Though his voice may shatter your dreams as the north wind lays waste the garden.

For even as love crowns you so shall he crucify you.
Even as he is for your growth so is he for your pruning.
Even as he ascends to your height and caresses your tenderest branches that quiver in the sun,
So shall he descend to your roots and shake them in their clinging to the earth.

Like sheaves of corn he gathers you unto himself.
He threshes you to make you naked.
He sifts you to free you from your husks.
He grinds you to whiteness.
He kneads you until you are pliant;
And then he assigns you to his sacred fire,
that you may become sacred bread for God's sacred feast.

All these things shall love do unto you
that you may know the secrets of your heart,
and in that knowledge become a fragment of Life's heart.

But if in your fear you would seek only love's peace and love's pleasure,
Then it is better for you that you cover your nakedness and pass out of love's threshing floor,
Into the seasonless world where you shall laugh, but not all of your laughter, and weep, but not all of your tears.

Love gives naught but itself and takes naught but from itself.
Love possesses not nor would it be possessed;
For love is sufficient unto love.

When you love you should not say, 'God is in my heart,' but rather, 'I am in the heart of God.'
And think not you can direct the course of love, for love, if it finds you worthy, directs your course.

Love has no other desire but to fulfill itself.
But if you love and must needs have desires, let these be your desires:
To melt and be like a running brook that sings its melody to the night,
To know the pain of too much tenderness.
To be wounded by your own understanding of love;

And to bleed willingly and joyfully.
To wake at dawn with a winged heart and give thanks for another day of loving;
To rest at the noon hour and meditate love's ecstasy;
To return home at eventide with gratitude;
And to sleep with a prayer for the beloved in your heart and a song of praise upon your lips.


Khalil Gibran, in The Prophet. 1923.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Parabéns Doulas de Portugal!



Foi há 5 anos que demos à luz esta ideia, este desejo, esta vontade, de ver um país devolver o parto às mulheres, de ver um país respeitar as suas mulheres como seres humanos inteiros, físicos, mentais, emocionais, espirituais, sexuais. Mulheres inteligentes, livres, informadas, responsáveis e donas de si próprias.

São cinco anos a testemunhar o poder transformador e libertador de um parto respeitado, acarinhado, de um parto bem vivido.
O poder de mudar uma mulher, de a tornar mais confiante em si, no seu corpo.
O poder de mudar o mundo.

Cinco anos a sentir e perpetuar este elo de AMOR!
Cinco anos ao lado das mães, a passar a palavra, a estender a mão, a alargar o círculo, a unir as nossas vozes, que dizem:
O Parto é nosso e é belo!

Foi há 5 anos mas parece que foi há uma geração atrás... em que Portugal estava às escuras... os partos eram objecto de um mesmo protocolo cego às necessidades e desejos de cada mulher, desejos que muitas vezes nem eram manifestados, não se sabia que podia ser diferente... Parto na água, parto em casa, parto de cócoras, eram acontecimentos exóticos de qualquer outra parte do mundo... havia medo, havia silêncio, havia o desconhecido. A palavra "doula" era (literalmente) grego para as portuguesas!... Hoje é falada nos meios de comunicação social com frequência.
Hoje muita coisa mudou e muita mais ainda vai mudar.

Os desafios pela frente são imensos. Estamos cá para continuar a lutar, questionar, aprender, reflectir, evoluir, juntas, com todos os parceiros deste cenário que é a humanização do parto em Portugal. Com voz que se faz ouvir.
Hoje as mulheres portuguesas que reclamam conscientemente para si o poder dos seus partos não têm ainda um caminho fácil, mas não estão sozinhas. E têm opções, porque as conhecem!

E só por isso, já valeu a pena!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Da dor e da glória de ser Mulher inteira



Dizia uma amiga minha, também doula, numa partilha da sua dor, num processo de separação, há dias:
Realmente só podíamos ser DOULAS!
Somos ainda mal-entendidas, por muita gente! Enquanto Doulas e como Mulheres!


Tão bem conheço essa dor. A dor de ser mulher inteira, consciente.
Como conheço também, indissociável da dor, esta glória... que nasce da coragem de sermos fieis a nós próprias, de não nos contentarmos com o caminho mais fácil, de expandirmos continuamente a nossa consciência, de escancararmos o coração à vida, sem medo. Mesmo que isso signifique decepcionar alguém, para não fugir à nossa verdade.

E é verdade o que dizia esta minha minha amiga.
Antes de ser um trabalho, ser doula é uma atitude, um Sentir, uma forma de estar na vida.

Move-nos o poder de sermos autênticas, de nos escutarmos atentamente e respeitarmos profundamente, de não nos contentarmos com a vida que alguém quiser traçar para nós, mas sim em desenharmos a nossa própria vida, e assim inspirar também as mulheres que nos rodeiam, a fazer o mesmo.

Partos poderosos libertam a mulher autêntica dentro de nós!
Uma mulher que pariu de forma poderosa e livre nunca poderá contentar-se com o confinamento da sua alma, seja em que circunstâncias for. Não há liberdade que se conquiste sem dor. E não há vida que seja VIDA, sem liberdade.
Mulheres, nós temos essa força!

Uma separação conjugal é um dos momentos mais difíceis da vida, em especial quando se tem filhos em comum. E os momentos de maior sofrimento, encerram também o maior potencial de crescimento.
Tudo o que parecia certo ontem, hoje se desfaz. Assistimos à transfiguração de pessoas que julgávamos conhecer... companheiros de uma vida, que passam tantas vezes a personagens de longas metragens de terror. Vemos espelhado no outro a mesma dor, o mesmo medo, a mesma insegurança, com tempos diferentes de auto-descoberta, os conflitos, o tanto que ainda temos por crescer. Aprendemos, no mais desafiador dos terrenos, o significado da palavra Compaixão. E aprendemos também, no duro, a distinguir o que é realmente importante do que é secundário.
A isto chama-se afinal, aprender a ser feliz.

Uma separação é muitas vezes a única forma de nos reunirmos connosco próprias. De voltarmos a ser Mulheres inteiras.

Aconteça o que acontecer, temos sempre que fazer as nossas escolhas e aceitar as escolhas dos outros, sabendo que somos responsáveis apenas pelas nossas. E sabendo que se não escolhermos, alguém escolhe por nós. E pode não ser o que queremos.

É preciso coragem para sermos donas das nossas vidas. É duro. Mas nunca será mais duro do que viver uma mentira. E por muito que a coisa se torne difícil, é preferível que os nossos obstáculos estejam bem identificados à nossa frente do que bem disfarçados nas nossas vidas, tantas vezes, apenas aparentemente, arrumadinhas.

Podemos sentir na pele a incompreensão, a indiferença, o julgamento... e até a crueldade de pessoas que nos eram próximas, a quem chamámos "amigas". Pessoas com essas vidas aparentemente arrumadinhas, a quem talvez faça confusão que alguns, ao lado, deitem abaixo a sua casa... não vá a delas abalar por "contágio". Mais uma vez, cada um fica com as suas escolhas.
Mas recebemos também a prova do estrondoso amor dos VERDADEIROS amigos, e conhecemos o significado profundo da palavra família. Esta revelação não tem preço.

Estou grata à família maravilhosa que tenho, uns pais que me apoiam incondicionalmente, porque me amam. E amar é confiar.

Estou grata aos amigos e amigas extraordinários que tenho. Tenho o privilégio de estar num circulo de mulheres fantásticas, a minha família alargada, que foram minhas doulas, que me deram a mão enquanto atravessava canais de escuridão.
Sim, somos doulas umas para as outras, companheiras na fantástica viagem da vida.

E estou grata a esta vida.
Estou grata por ter mergulhado nesta dor, atravessado este oceano, este deserto, esta selva... ter sentido tudo isto.
A alternativa seria não sentir, não viver.

Não me recordo bem da mulher que era ontem. Vejo uma figura desvanecida, sem brilho, à espera de algo que a salvasse. Até perceber que quem me pode salvar sou eu. Que bom que a voz do meu coração um dia foi mais forte do que todo o ruído à minha volta, e encheu tudo de cor intensa e profunda. Descobri essa luz, e ela nasceu de dentro de mim.
Cada dia me sinto mais sensível e mais forte. Paradoxal? É a mais pura das verdades.

Houve dias em que o mundo parecia desmoronar e tudo em mim apelava: olhem para mim, ajudem-me, não sei se sobrevivo a mais um dia disto! E sobrevivia, claro! Fui eu que escolhi! Nós só escolhemos aquilo que aguentamos! O nosso corpo e a nossa alma estão desenhados para isso!

Tantas mulheres à minha volta, cada vez mais... têm passado pelo mesmo. Olho à minha volta e encontro-vos. Mulheres com voz e com brilho, estamos por todo o lado e não mais estamos sozinhas.
Os tempos mudam. São tempo de descoberta. Tempos de coragem, de inquietação, de procura, de libertação.

E claro, é normal duvidarmos, perdermos as forças, pedirmos ajuda. É normal pensarmos.. "e Se"? Rimos e choramos juntas. E juntas, continuamos.

Acredito que o Ser sábio dentro de nós, aquele que faz a escolha, continua a saber qual é o caminho, mesmo que às vezes a sua voz pareça abafada pelas nossas lágrimas.
Nas mesmas lágrimas em que, depois de cada tempestade, brilha sempre um arco-íris.

Sim, minha amiga, só podíamos ser doulas!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Eu Consigo!





Há dias, na vinda de escola para casa, vinha numa das minhas conversas com o Leo, a propósito da resistência que ele oferece à escrita.

"Filho, preciso conversar contigo sobre o teu caderno da escola. Aquele onde tu nunca gostas de escrever...

Sabes que quando entrares na grande escola dos inventores, é importante teres um registo dos teus inventos. Não basta saber inventar grandes coisas, é preciso saber escrever o que inventaste e comunicares aos outros. Se um inventor não vender os seus inventos, não consegue ganhar a vida."

Silêncio no banco de trás.

Eu insisti - Precisas treinar a habilidade da escrita, entendes?

Mas eu não consigo... - é a resposta habitual.

Sabes Leo - disse-lhe eu - se continuares a dizer que que não consegues, é certo que não consegues. Mas se disseres que consegues, então pelo menos tens uma hipótese. Tu é que escolhes. O que é que preferes? Conseguir ou não conseguir?

Ele escutava-me, atento. Mas desesperado. Chorando. "Mas, mãe... eu NÃO CONSIGO!"

O meu filho oferece uma resistência incomum a tudo quanto o confronte com a sua própria fragilidade. Perante um novo desafio, algo fora da sua zona de conforto, sente-se derrotado antes mesmo de tentar. Na mesma medida do orgulho que sente quando me mostra um dos seus novos inventos e, minuciosamente, me descreve o seu modo de funcionamento. O Leonardo é exímio e não aceita ser menos do que isso. Tem um medo enorme de falhar. E esse medo congela-o. A sua mente é fabulosa e, no entanto, é também a sua maior adversária. A maior aprendizagem à sua frente é a de que é preciso errar para aprender. Os erros são a matéria de que é feita a experiência do inventor. Duas coisas são vitais: errar, sim, e continuar a tentar, sempre!

E aquilo em que acreditamos, torna-se aquilo que somos capazes de fazer. Os nossos pensamentos tornam-se as nossas atitudes. E as nossas palavras não só reflectem os nossos pensamentos, como também, no sentido inverso da engrenagem, têm o poder de os moldar, e assim influenciar as nossas atitudes. É esse o poder das afirmações positivas. No final de contas, cada um de nós é o único criador da sua realidade.

Ontem trouxe para casa um livro da Louise Hay, que diz na capa "EU CONSIGO". Mostrei-o ao Leo e coloquei-o na prateleira da sala, bem visível.

Expliquei-lhe que as palavras que escolhemos dizer, têm o incrível poder de se tornarem a nossa realidade. O meu filho, que é super-interessado em super-poderes, ficou atento, mas nada disse.

Hoje ao final da tarde, estava a pôr o jantar na mesa... e... surpresa, ouço o Leo, que andava de baloiço no quintal com o irmão, a gritar a altos berros:

"Eu Consigo ! EU CONSIGO! Eu sou bom nisto!"

Estava a tentar dar saltos compridos, e aterrar de pé, lançando-se a partir do baloiço.

E esta era a estratégia para conseguir dar o salto perfeito!

Claro que não perdi a oportunidade. Saí ao quintal e bati palmas, gritando também "Bravo Leo! É isso mesmo!"

Ele riu-se para mim, acabado de cair na relva... e disse "Bem.. parece-me que não está a resultar lá muito bem... O Dudu tem outra estratégia: é o 'Bip Bip Buuuu' e está a saltar melhor"... e ria-se!

"Continua a treinar filho! Estás a ter a atitude certa! Os resultados vão aparecer!"

O meu filho continuava a sorrir e voltou para o baloiço, entusiasmado.

E eu entrei em casa e olhei para o livro à minha frente, na prateleira da sala: "Eu consigo".

De vez em quando... no meio dos dias de uma longa e exigente luta, há estes breves momentos de um doce sabor a vitória, que me renovam as forças.

É esse doce sabor que, eu espero, floresça algures no reino mágico da mente do meu filho, como um antídoto precioso contra o medo, e capaz de ser invocado a qualquer momento, sempre que chega um novo desafio.

sábado, 15 de maio de 2010

O Contrato Maior

No Amor, o único contrato de verdadeiro valor é aquele que cada um de nós, livremente escolhe, escrever no seu coração. É um contrato de fidelidade que fazemos connosco próprios, de celebrar a eternidade do Amor em cada momento.

O verdadeiro casamento é um contrato íntimo e pessoal, sem prazo, que se nutre e se renova a cada dia… a cada hora… e a cada minuto… de livre, espontânea e consciente vontade.

Ninguém é de ninguém. E a grande beleza do amor é ser a celebração de uma escolha livre, a escolha de nos darmos a outra pessoa, sem nunca deixarmos de pertencer apenas a nós mesmos.

O amor é assim... como uma borboleta. Se o tentarmos guardar na nossa mão fechada, tiramos-lhe o pó mágico das asas que lhe permite voar. Tiramos-lhe o brilho e passamos a ter, bem seguro na nossa mão... um vulgar insecto.

E por isso, amamos verdadeiramente, quando sabemos acolher, apreciar e agradecer, de coração aberto, a beleza selvagem de uma borboleta pousada na nossa mão. É assim que o amor, como um milagre, pousa em nós.

E sempre que a borboleta voa, contemplamos com gratidão, o seu magnífico voo...

... porque a sua magia impregnou-nos para sempre.

domingo, 2 de maio de 2010

A importância de ser MÃE


Costumo dizer que ter sido mãe, foi o upgrade mais valioso que já fiz ao meu software pessoal, e que se actualiza constantemente. A maternidade é uma escola de gestão de exigência máxima, com cursos de longa duração, de horários intensivos diurnos e nocturnos, em que as alunas se entregam de corpo e alma, são confrontadas com os resultados todos os dias e apresentam, de modo geral, prestações extraordinárias, sem nunca receberem diploma.
Por isso, no meu currículo profissional, faço questão de indicar a minha mais importante (dupla) qualificação: Sou mãe de dois filhos.

Hoje, a marcar o "Dia da Mãe," reproduzo aqui alguns excertos da jornalista Ann Crittenden que escreveu um livro com um título tão sugestivo como este: "O Preço da Maternidade: Porque é que a profissão mais importante do mundo é ainda a menos valorizada" nomeado como um dos livros notáveis do ano de 2001, pelo New York Times.

Na economia moderna, dois terços da riqueza são fruto das experiências, criatividade e espírito empreendedor do ser humano — aquilo que é habitualmente designado de «capital humano». O que significa que os pais que educam os filhos de forma consciente e eficaz são literalmente, nas palavras da economista Shirley Burggraf, «os maiores produtores de riqueza económica». Mas esta verdadeira contribuição material não é vista como tal. Toda a adulação à maternidade ainda «flutua no ar». No chão, onde vivem as mães, a falta de respeito e de reconhecimento ainda fazem parte da experiência de qualquer mãe. O trabalho que requer a construção de um lar para uma criança e o desenvolvimento das suas capacidades é muitas vezes equiparado a «fazer nada». Daí a desdenhosa questão constantemente levantada sobre as mães que estão em casa: «O que é que elas fazem o dia inteiro?», chegando ao ponto de até os próprios filhos absorverem a mensagem cultural de que as mães não têm grande peso na sociedade.


A ocupação de mãe não só é «invisível» como também se pode tornar uma desvantagem. Educar uma criança é o trabalho mais importante do mundo, mas é impossível utilizá-lo com o intuito de enriquecer um currículo. A ideia de que o tempo gasto com uma criança é tempo perdido, está inerente ao pensamento económico tradicional. Mesmo que não estejam formalmente empregadas, as pessoas podem criar capital humano. No entanto, são acusadas de sofrerem uma deterioração da «matéria-prima». Os talentos exigidos para realizar o árduo trabalho de construir, a longo prazo, o carácter humano e inculcar nas crianças a capacidade e o desejo de aprender não têm qualquer espaço nos cálculos económicos. A teoria económica não tem nada a dizer sobre a aquisição de experiências por parte daqueles que trabalham com crianças. Ou seja, não são ninguém!


Com o início do século XXI, as mulheres podem estar a aproximar-se da igualdade, mas as mães ainda estão muito para trás. Mudar o estatuto das mães, através da obtenção do reconhecimento real do seu trabalho, é o grande passo a dar pelo movimento feminino.


Reavaliar a maternidade não vai ser nada fácil. Até as feministas se mostram muitas vezes relutantes em admitir que a vida de muitas mulheres se centra prioritariamente nos seus filhos, temendo que isto as possa levar novamente à subordinação doméstica. Daí não apostarem na valorização do trabalho das mães que se dedicam exclusivamente ao lar. Lutam por uma maior participação dos pais, mas até agora com poucos resultados. É óbvio que cuidar dos próprios filhos não é um trabalho que se faça com o intuito de receber qualquer remuneração. No entanto, não significa que uma pessoa deva ser penalizada por isso. Só pelo facto de ser uma tarefa altruísta não quer dizer que não seja difícil; é uma obrigação que consome tempo e que é atribuída a um dos sexos... o feminino, é claro. Balzac chegou a escrever: «O amor maternal torna todas as mulheres escravas».


Num mundo verdadeiramente diverso, as pessoas que se dedicam exclusivamente à educação dos filhos deveriam estar bem representadas em posições de poder. Todas as instituições deveriam questionar-se sobre se têm nos escalões mais elevados suficientes mães. E a educação directa dos filhos deveria ser vista como uma referência, em vez de ser encarada como uma desvantagem.


Vale a pena fazer uma analogia com os militares. Tal como as mães, eles prestam um serviço indispensável ao país. A sociedade sente-se em dívida para com eles, e por isso é comum os veteranos de guerra receberem diversas recompensas pelos seus serviços. Assim, não é justo exigir que a educação de um ser humano, o serviço nacional primário prestado pelas mulheres, seja considerado menos valioso. Não é justo forçar as mulheres a serem os filantropos involuntários da sociedade. Não é justo esperar que as mães façam sacrifícios que não são exigidos a nenhuma outra pessoa, ou tenham virtudes que mais ninguém possui. As virtudes e os sacrifícios, quando esperados por parte de um grupo restrito de pessoas, tornam-se a marca de uma classe inferior. Estabelecer um acordo justo para as mães, vai muito além dos salários de donas de casa, ou até mesmo dos benefícios dos veteranos. O que é necessário é o reconhecimento global — no trabalho, na família, na lei, na política social — de que alguém tem de realizar o trabalho essencial que se prende com a educação das crianças e o sustento da família, e que a recompensa desse trabalho vital não deverá ser a marginalização profissional, a perda de status ou um maior risco de pobreza.


Este reconhecimento significaria o fim da gritante contradição entre aquilo que dizemos às jovens mulheres — «sai, luta pela tua educação, torna-te independente» — e o que acontece a essas aspirações assim que se tornam mães. Destruiria o anacronismo que atormenta a vida da maioria das mães, que, apesar de trabalharem mais que qualquer pessoa na economia, continuam a ser financeiramente dependentes, como as crianças ou os adultos incapacitados.

Criar e educar uma criança em constante mudança não é uma tarefa fácil. Em nada se assemelha ao trabalho doméstico ou a fazer uma lista de compras para o supermercado. É uma tarefa que requer uma extraordinária competência.

É provável que as mães e outras pessoas que se dedicam a cuidar dos filhos e de membros da família idosos ou doentes continuem a fazê-lo, não se importando com os custos ou consequências que isso terá nas suas vidas. Afinal de contas, o amor maternal é uma das fontes renováveis do Mundo. E ninguém consegue ver o óbvio: se as habilidades humanas são fonte principal do progresso económico, como defendem muitos economistas, e se essas habilidades são criadas nos primeiros anos de vida, então as mães são os maiores produtores da economia. Elas têm, literalmente, a profissão mais importante do Mundo.


Condensado de The Price of Motherhood: Why the Most Important Job in the World is Still the Least Valued, by Ann Crittenden. © 2001 by Ann Crittenden — Metropolitan Books. Adaptado por Filipa Lopes.

Imagem: Pintura de Katie m. Berggren

domingo, 25 de abril de 2010

E a propósito de Liberdade...

... lembrei-me de desencantar do baú... este velhinho poema que escrevi, há já uma boa dúzia de anos.



Estradas

Não amo mais.
Se me pronunciares essa palavra
Vou rir na tua cara
Posso fingir
Até divertir-me.
Podes acreditar que me tens.
Mas não.
Agora sou livre.
Vou passar por ti e por quem vier
Mas no fundo dos teus olhos só vejo estradas.
Não vou ficar.
Desculpa se te atravesso
Não te derrames
Não te posso ajudar
Não preciso de ajuda
As tuas palavras doces
São brinquedos.
Ao cair da noite
Ficarão espalhadas pelo chão
Onde ainda ontem
Brilhavam na escuridão
Como fantasmas, as promessas
Um longo e inebriante abraço.
Não digas nada.
Se alguma vez amei
Foi um sonho.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Macpost com dragões


Há dias em que saímos de casa de manhã e não imaginamos que nos vão acontecer coisas tão fantásticas, quanto imprevistas.

Como hoje.

O meu Leo foi ao cinema pela primeira vez. Calhou. No regresso de uma ida ao CADIn, íamos lanchar com a madrinha ao Cascais Shopping, e lembrámo-nos de ver se estaria em cartaz o filme dos dragões que o Leo tanto gosta: "Como Treinar o Seu Dragão." E estava. Foi uma aventura! Em poucos instantes, vi-me a olhar para o meu filho, de óculos escuros 3D e abraçado a um balde de pipocas gigante... e eu a sentir um orgulho emocionado, perante aquela imagem inédita, que subitamente fez crescer tanto o meu filho, como se aquele balde de pipocas fosse uma espécie de canudo universitário em dia de cerimónia de formatura. Caramba! As coisas que tocam um coração de mãe...

E o filme revelou-se soberbo...

Juntos voámos no dorso de um belíssimo dragão negro, velozes e felizes. Não sei qual de nós dois, era a criança mais entusiasmada da plateia. Mas certamente, e até porque a audiência era reduzida neste dia, devíamos classificar-nos nos dois primeiros lugares.

Aquele jovem Viking, um rapazinho magricela e algo desajeitado face aos imponentes guerreiros Vikings, mas bem inteligente, de espírito científico e pensamento crítico, no meio de uma aldeia dominada pelas velhas tradições e costumes... era-me extraordinariamente familiar. Não poderia ter sido melhor o protagonista nesta estreia cinematográfica do meu pequeno herói. Identificou-se desde o início.

E eu vim de lá apaixonada pelo Fúria da Noite, de grandes olhos verdes, orelhas expressivas, dentes retracteis e um roncar delicioso, a fazer-me lembrar uma mistura entre o Gizmo (dos Gremlins) e o E.T.


No final passámos pela FNAC (entenda-se Fúria da Noite Após Cinema) e trouxe um bichinho novo de estimação. Pois é. Este é o primeiro post que escrevo a partir de um Macintosh.
Mudei de cavalo para dragão... e agora o filme que se segue é... "Como Treinar a Sua Dona"!

domingo, 18 de abril de 2010

Papoila à chuva



Estou como a chuva...
Que canta, que chora...
Que me odeia, que me adora...
Que grita, que escorre...
Que vive, que morre...
Que me leva, que me lava...
Que me aviva, que me apaga...
Que me agride, que me abraça...
Que me diz que tudo passa...
Tudo muda, tudo gira
É verdade. É mentira?
Realidade, ilusão...
Um caminho, um coração.
Chove, chove, chove...
E é quase, quase Verão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Childish, please.

In order to make things a reality, you have to dream about it first.

How many of us still dream of the possibilities?...
How many of us are focused on limitations?...





If you don't keep the inner child alive, you're already dead.
Grow up... and get it back.

sexta-feira, 26 de março de 2010

As simple as that...


When we believe that everything is everyone else's fault, we live in suffering.
When we grow aware that everything is created by ourselves alone, we learn about peace and joy.


Quando pensamos que tudo é culpa dos outros, vivemos em sofrimento.
Ao tomarmos consciência que tudo deriva apenas de nós próprios, aprendemos a paz e a alegria.


Dalai Lama

quarta-feira, 17 de março de 2010

Viver e Morrer... e Dançar...


Em homenagem a Alan Michael Peck, 12Jan 1948 - 3 Março 2010.

Aquilo que a lagarta percebe como sendo o fim, é para a borboleta apenas o início.

Disse o Buda:

Esta nossa existência é transitória como as nuvens de outono. Ver o nascimento e a morte dos seres é como olhar os movimentos de uma dança. Uma vida é como um clarão de um relâmpago no céu, rápida como uma torrente que se precipita montanha abaixo.

Sogyal Rinpoche, em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"

Um abraço imenso para ti Paula, o tributo que lhe fizeste é lindíssimo.

domingo, 14 de março de 2010

Avatar


No hinduísmo, Avatar é a palavra em sânscrito que significa a descida deliberada de uma divindade do céu à terra.

E o nome não poderia ter sido melhor escolhido, para reflectir a essência da mensagem deste extraordinário filme que acabo de ver, no Auditório António Chaínho em Santiago do Cacém. Bem haja o cinema na nossa terra!

Extraordinário foi também o facto de eu ter começado a ler, hoje, no curto intervalo deste filme, as primeiras páginas de um livro muito especial que trazia comigo à espera de uns momentos de sossego para começar, "O Lugar da Alma" de Gary Zukav.

Não há coincidências, não é verdade?


Há coisas que se reúnem, de uma forma tão impactante, num mesmo momento e espaço, para nos trazer um sentido tão pleno e perfeito... que só me ocorre mesmo chamar-lhes "divinas" ou "avatares"...

Mais do que um entretenimento de ficção científica, o filme é uma belíssima e importantíssima lição de ecologia espiritual, a lição que temos que aprender, o paradigma que temos que mudar se quisermos ter sucesso evolutivo.

O povo de Pandora, estes selvagens de um futuro imaginado, inspira-nos a redescobrir a consciência da alma. E a encontrar o poder autêntico que nasce de dentro do Ser, dos valores espirituais partilhados, num profundo respeito pelo delicado equilíbrio e interligação de todas as coisas. A liberdade e a responsabilidade, o passado e o futuro. A vida e a morte.

O povo de Pandora, tinha uma forma de sabedoria que transcendia aquilo que actualmente conhecemos. Mas não conhecer, não significa que não exista. Apenas significa que somos ainda muito ignorantes.

Que os nossos cinco sentidos convencionais já não chegam para percepcionarmos o que precisamos percepcionar.

Não há nada de não científico nesta visão. Uma visão que ontem era estranha, fantasiosa e esotérica, hoje é científica, necessária, inteligente, vital. É a estratégia que pode salvar a humanidade, se ela se descobrir a ela própria, a tempo.

No mais fundo de Pandora, sabemos, encontra-se a esperança.

Enquanto descobrimos que a Terra, este nosso lugar, é o único lugar que temos, o lugar de tudo, o Lugar da Alma.

terça-feira, 2 de março de 2010

Viver


Viver perigosamente significa viver.

Os que são corajosos mergulham de cabeça. Procuram todas as oportunidades de perigo. A sua filosofia não é a das companhias de seguros. A sua filosofia de vida é a de um alpinista, de um planador, de um surfista. E não é apenas nos mares exteriores que eles surfam; surfam nos seus próprios mares interiores. E não é apenas no exterior que eles trepam aos Alpes e aos Himalaias; também procuram os picos interiores.

Quanto maior for o perigo, mais vivo te sentes.

Então o momento presente é muito nítido, como uma chama. É suficiente. Vives no aqui e agora.

E um único momento dessa intensidade é mais agradável do que toda uma eternidade de uma vivência medíocre.

Adaptado de textos de Osho, in "Coragem - a alegria de viver perigosamente."

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Inteligência Espiritual

Estamos mais perto de Deus quando fazemos perguntas, do que quando pensamos que temos as respostas.
Abraham Heschel
Descobri-o na véspera de Natal e de imediato o agarrei. Na capa estava escrita uma expressão que eu senti necessidade de começar a usar, desde há uns anos para cá, e que nunca tinha visto escrita em lado nenhum.
Foi-me particularmente impressionante descobrir que alguém, noutro continente, publicou um livro para apresentar este conceito que me é tão especial:
Inteligência Espiritual, edição da Sinais de Fogo.



Adorei ler esta dupla de autores, por acaso (ou não) um casal de cientistas, que acumula especializações em física, filosofia, psiquiatria, psicoterapia e gestão estratégica.

Danah Zohar e Ian Marshal apresentam-nos, nesta obra, o conceito de Inteligência Espiritual (QEs), que se segue aos conceitos anteriormente introduzidos, o bem conhecido “QI” – Quociente de Inteligência Intelectual, no princípio do Século XX e mais recentemente o QE – Quociente de Inteligência Emocional, popularizado na década de 90 por Daniel Goleman.


No livro começam por ser analisados os três tipos de inteligência (QI, QE, QEs), associados a três processos de pensamento (primário, secundário, terciário), produzidos por três estruturas diferentes, existentes no cérebro humano (redes neurais em série, associativa e unificadora).
A inteligência intelectual é de natureza lógica e racional, e permite-nos resolver problemas estratégicos, enquanto que a inteligência emocional é de natureza adaptativa, relativa aos sentimentos, e traduz a nossa capacidade de compreender uma situação do ponto de vista emocional e de nos comportarmos adequadamente face à mesma.
A inteligência Espiritual é uma inteligência transformativa, criativa, que nos coloca em novas perspectivas geradoras de um sentido maior e inspirador. É a inteligência da nossa própria consciência, que nos guia como uma bússola no limiar entre a ordem e o caos, a fronteira entre a zona de conforto e o total desconhecido. Permite-nos quebrar velhos paradigmas e padrões de pensamento e criar novos modelos de interpretação da realidade que têm o poder de influenciar as nossas decisões e acções.
Zohar e Marshall defendem que poderemos ter inteligências infinitas, mas sempre ligadas a um dos três sistemas básicos do cérebro, e que os sete tipos de inteligência descritos por Howard Gardner, na sua teoria das Múltiplas Inteligências, são na verdade variações destes três tipos básicos e a sua combinação neural associada.
A inteligência espiritual é assim defendida como a inteligência suprema, uma função integradora de toda a inteligência humana, necessária para o funcionamento eficaz dos vários processos neurais, e que define em essência o que é ser humano. Como seres humanos, estamos a usar a nossa inteligência espiritual, quando formulamos perguntas “fundamentais” ou “essenciais”, como: Porque é que realmente existo? O que é que estou aqui a fazer? O que faz com que tudo valha a pena? Quando tentamos responder a estas questões estamos a entrar na dimensão criativa do ser humano.
A inteligência espiritual é, assim, a nossa capacidade de encontrar sentido, visão, valores e propósito fundamental e de usar estas qualidades para a gestão sustentável da própria felicidade. Esta dimensão espiritual da inteligência não tem nenhuma conotação religiosa, mas está, sim, relacionada com aquilo a que se pode chamar a nossa essência vital, o significado original de espírito, do latim spiritus (princípio animador ou sopro vital). Os autores consideram-na aliás “a inteligência da alma” e reconhecem que encerra um enorme potencial de auto-cura, na medida em que permite manter a fluir, a visão e a energia no canal entre o mundo interior e exterior, num estado de inteireza centrada.
O livro prossegue analisando as evidências científicas que suportam a existência desta inteligência “do sentido”, um novo modelo do “Eu”, uma análise dos vários tipos de personalidade, as suas motivações profundas, a sua energia psíquica e a forma como acedem ao centro comum, o centro pessoal que é uno com o coração do universo, que assenta em toda a potencialidade infinita do vazio quântico. Actuando a partir desse centro, cada um de nós pode viver o seu próprio caminho espiritualmente inteligente.
Finalmente, os autores explicam como podemos avaliar, utilizar e desenvolver a nossa inteligência espiritual, numa cultura espiritualmente estúpida, onde se valoriza sobretudo o imediatismo, o materialismo e a imagem externa. Uma cultura massificada e vitimista onde predomina o egoísmo e não a verdadeira individualidade. Sob estas pressões, para evitar o atrofiamento da nossa inteligência espiritual há que desenvolver o auto-conhecimento, a auto-consciência e a auto-comunicação e o primeiro passo é assumir com honestidade e coragem, a responsabilidade pela própria vida.
Ser espiritualmente inteligente é mantermo-nos autênticos e abertos à experiência, renovando a nossa visão do mundo, através dos olhos da nossa criança interior.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fazer a Diferença!


A síndrome de Asperger não está estampada na cara, mas existe, e é até bastante comum. Tal como nas outras assim designadas "perturbações do desenvolvimento" existe uma grande variedade dentro desta "constelação" Asperger e um espectro de severidade ou intensidade de expressão das características. E é por ser tantas vezes relativamente subtil, fora de determinados contextos sociais, particularmente stressantes, como por exemplo uma sala de aula, que estas crianças são ainda tão mal compreendidas, e com elas também, as suas famílias, às quais facilmente se aponta o dedo do julgamento alheio: "Não lhe sabe dar educação"!

A este respeito, como em tantas outras matérias, a ignorância é o grande inimigo da evolução. E para isso existem associações como a APSA - Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger - que ajudam a informar e desmistificar esta forma mais funcional de autismo, mas que é um desafio enorme para os pais, professores, técnicos e todas aquelas pessoas numa comunidade que, de uma forma consciente, atenta e dedicada, lutam por uma integração eficaz destes jovens no mundo em que vivemos.

As pessoas autistas existem um pouco por todo o lado. Muitos de nós conhecerão pessoas com alguma perturbação do espectro autista, sem que tenham consciência disso. O Autismo não é uma tragédia, nem um efeito colateral da genialidade, é uma diferença a ser reconhecida e valorizada. Uma diferença necessária. É da diferença que nasce a riqueza, a criatividade, a evolução! A diferença é a cor numa tela cinzenta, é o desafio, é um motor de crescimento e maturidade e uma fonte também de um enorme sentimento de gratidão e humildade, para todos quantos conscientemente escolhem lidar com ela.

O fabuloso desafio de educar uma criança "Aspie" é simultaneamente uma gratificante experiência, sobretudo quando a partilhamos com uma "família alargada" de pais e profissionais que, movidos pela força una do amor, lutam diariamente pela felicidade destas crianças, num mundo ainda tão tristemente "deficiente" em lidar com a diferença.

A minha gratidão à APSA e às pessoas que se unem e lutam por fazer a DIFERENÇA... tão necessária!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A Águia e o Falcão



Nas histórias e lendas de povos ancestrais, encontram-se pérolas de sabedoria intemporal, que raramente se contam na escola dos dias de hoje... lições tão simples e tão importantes...

Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo:

- Nós amamo-nos... e vamos casar - disse o jovem.
- E amamo-nos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado, ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Há uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e de sacrifício...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até ao terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu que eram verdadeiramente formosos exemplares...
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - matamo-las e depois bebemos a honra de seu sangue? Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro - Apanhem as aves e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado... e soltaram as aves...
A águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se magoarem.
E o velho disse então:
Jamais esqueçam o que estão a ver... este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão a arrastar-se, como também, mais cedo ou mais tarde, começarão a magoar-se um ao outro...
Se quiserem que o amor entre vocês perdure...Voem juntos, mas jamais amarrados".

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"Spiritual, not religious"

Diz-se por aí.
E eu digo aqui:
Sou espiritual, não tenho religião.
Espiritualidade rima-me com liberdade.
Religião... com escravidão.

Espiritualidade nasce sempre de dentro para fora. Não tem manual. Tem apenas o diário da minha paixão.

Religião é a domesticação da espiritualidade. Rebanhos de espíritos cercados ao entardecer, pelo pastor.
Religião é a mais primitiva industrialização, da espiritualidade.
Espiritualidade em embalagens, pronta a consumir e a competir. Cada uma traz um Deus lá dentro.
Eu descubro o que é divino, dentro de mim.
Jesus não era cristão. Era Cristo.

O meu templo está na areia dourada, lavada pelas ondas. Está na clareira do bosque, ou nos sulcos de um tronco de carvalho. Está num campo de espigas e papoilas vermelhas ao vento. O meu templo cheira a sal, ou a mato, ou ao perfume de flores.
O meu templo, encontro-o, no fundo dos olhos brilhantes dos meus filhos, inundado pelo cântico doce do seu riso.
O meu templo está sempre comigo, onde eu estiver, de portas abertas à vida. Porque ele é, tão simplesmente, o meu coração.



A minha espiritualidade é a única segurança que quero ter. A de me sentir confortável com quem sou. É a minha libertação, o céu que se sente no peito a crescer. O canto de todas as aves no meu cabelo. Amor a transbordar. Um rio transparente, cheio e fluido, que se partilha com as margens, que dança entre os seixos, que faz amor com as montanhas. Que grita nas cascatas, salta nos abismos e se renova, nas frias frestas dos rochedos. Um rio cuja força nao se contém. Pois que a felicidade é sempre aquela certeza que o mar tem, de me ver chegar.

A minha espiritualidade é a minha forma mais elevada de inteligência.
Aquela que me permite encontrar significado e sentido em tudo o que faço. Ser criativa e corajosa, perante cada desafio da vida.
É o que me inspira a ver beleza em meu redor, mesmo quando os dias não são bonitos.

A minha espiritualidade, estou a descobrir, é a minha ecologia pessoal.
É assim que o meu coração se liga ao todo.
E assim se alimenta, se sustenta e se equilibra.
Não existem Deuses nem Gurus neste meu mapa de estradas, pessoal e personalizado, para a liberdade.
Onde quer que eu esteja, estou. Inteira e incorruptível. Plenamente apreciando a viagem, aqui e agora, para sempre.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Alquimista



A névoa desfaz-se sob o tesouro dourado do céu.

Enquanto encontro, dentro de mim, uma a uma, todas as chaves.

Mergulhei numa viagem ao fundo do mar e, no regresso, trago uma pérola a brilhar na concha do coração.

Sinto no corpo e na alma, um novo e incrível poder.
Cada célula de mim, é agora feita de uma inabalável e tranquila confiança.

Coaching é... alquimia.
Nada acrescenta, tudo transforma.
O que aconteceu?
O que mudou?
Agora tudo brilha!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Inventa o teu mundo!


O pequeno inventor que tenho cá em casa ficou há dias, entusiasmadíssimo com a história de Javier, 15 anos, educado em casa, que inventou um sistema à base de algas para satisfazer necessidades energéticas e alimentares dos países mais pobres, e pelo feito, ganhou o concurso "Invent Your World" para jovens talentos, atribuído pela Fundação Lemelson.
Brilharam os olhos ao Leo, que teve a experiência feliz de ter estado também, um ano, em Ensino Doméstico, e quer, desde sempre, ser inventor. Raro é o dia em que não desenhe um novo modelo para a sua colecção de máquinas, entre as quais se destacam os seus mega-velozes supercarros, capazes de atingir números quase infinitos de kilómetros por hora.
A velocidade é, aliás, sinónimo de felicidade para o meu filho.
Lembro-me quando, aos 4 anos, o ouvi dizer para o irmão:

Sabes que há meninos muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito ricos???!!!
E eu, que estava a ouvir, perguntei: Ah sim? E como é a vida desses meninos?
Resposta dele, em tom triste: São muito pobres...
Então porquê? - perguntei.
Resposta dele - Porque não é o dinheiro que faz velocidade!

Afinal a Felicidade não deixa de ser uma espécie de Velocidade no peito...

Mas voltando à história do Javier, ficou-me sobretudo uma sua frase, que do alto dos seus experientes 15 anos, conseguiu captar uma verdade tão elementar, aparentemente inacessível a tantos "especialistas" em educação!

"Os jovens da minha idade podiam fazer mais, mas não sabem quais são as suas paixões".

O que faz a escola de hoje para ajudar os jovens a descobrirem as suas paixões?
Quanto tempo estão as crianças ocupadas a encher o intelecto com um menu variado de "conhecimentos", totalmente alheios à sua escolha, ligados e desligados entre sucessivos toques de campaínhas?
Quanto tempo têm para se mover em liberdade, para estarem em contacto com elas próprias?
Quantas aprendem a reconhecer e usar eficientemente as preciosas ferramentas com que todos nascemos: a mente, o corpo e as emoções - as únicas que podem trazer-nos verdadeiro sucesso!
Quanto tempo passam a receber instruções e quanto se lhes permite para escutarem a sua própria voz?
Quanto tempo resta para descobrirem as paixões que as movem, aquilo que torna cada uma diferente, única e especial?
E em quantos professores conseguem as crianças reconhecer essa energia, a da paixão?
Quantos jovens adultos, bem "escolarizados", estão hoje perdidos, sem terem ainda percebido quem são, nem o que querem da vida?
Quantos descobrirão na meia-idade que já passaram metade da vida a fazer aquilo que não querem, mas não sabem ainda aquilo que querem?

A "crise" é esta e mais nenhuma. Uma crise de sentido.
As verdades são simples e estão bem à frente do nosso nariz.
Tanto tempo que perde um país, e tanto país que se perde... a ouvir mais os "Especialistas" em Educação do que os "Experientes", como o Javier.