sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Encontra o que amas...

Se hoje fosse o último dia da minha vida, quereria eu fazer, aquilo que estou prestes a fazer hoje?
Sempre que a resposta tem sido "Não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar algo.
Lembrar-me que estarei morto em breve, é a mais importante ferramenta que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida. Porque quase tudo - todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo da vergonha ou do fracasso - estas coisas simplesmente desaparecem perante o rosto da morte, deixando apenas aquilo que é verdadeiramente importante.
Lembrarmo-nos de que vamos morrer é a melhor forma que conheço de evitar a armadilha de pensar que temos algo a perder.
Já estamos nús. Não há razão para não seguirmos o nosso coração.

Tens que encontrar aquilo que amas. E isso é tão verdadeiro para o teu trabalho, como o é para os teus relacionamentos. O nosso trabalho vai ocupar uma grande parte da nossa vida, e a única forma de se estar verdadeiramente satisfeito é fazer aquilo que acreditamos ser um trabalho grandioso. E a única forma de se fazer um trabalho grandioso é amar aquilo que se faz. Se ainda não o encontraste, continua a procurar. Não te acomodes. Tal como com todos os assuntos do coração, saberás quando o encontrares. E tal como com qualquer relacionamento grandioso, fica cada vez melhor com o passar dos anos. Por isso, continua a procurar até o encontrares. Não te acomodes.


Steve Jobs, Director Executivo da Apple Inc. e Estúdios de Animação Pixar
Excertos, por mim livremente traduzidos, de um belíssimo discurso disponível na íntegra aqui.




STAY HUNGRY. STAY FOOLISH.
Sempre!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Em viagem



Porque é que sinto que pertenço ao âmago da floresta, ou à imensidão azul do mar?
Porque não me contento com estes lugares por onde o meu corpo vagueia, entre todos os outros?
Que visão é esta de um outro mundo por alcançar, sem caminho para lá chegar?
De onde vem esta saudade de algo que ainda não vivi, pessoas que ainda não conheci, que me esmaga o coração, que me deixa sem ar.
Na berma de um caminho, um cheiro, uma memória fugaz, me revisita.
Fecho os olhos, paro, sinto. Fica comigo!
Corro, corro, corro, dentro de mim, para dentro do mais ínfimo segundo, para te alcançar.
À volta, no cinzento das mesmas ruas de todos os dias, a cruel prisão.
Que escada posso lançar às nuvens?
Quem me colocou neste corpo, nesta vida, neste lugar… com que missão?
Aqui não pertenço.
E agora, quem me leva? Ou quem me salva de mim?
Quem sou? Quem já fui? Quem vou ser?
Dentro de mim vivem todas as cores, e cantam e chamam... por esse lugar de liberdade que vive no meu sonho.
E a viagem continua.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O sumo das fadas!

Quem trabalha com o processo criativo conhece bem a angústia que o acompanha... e sentir-se-á facilmente tocado, confortado e inspirado por esta reflexão de uma autora que me é especialmente querida, Elisabeth Gilbert.

A magia presenteia-nos, por vezes, quando acreditamos, quando nos entregamos... quando fazemos o que temos que fazer, movidos pela paixão, acreditando que estamos a desenhar a obra de arte única, pessoal e intransmissível que é a vida que nos foi dada a viver.
Se é verdade que nem tudo depende inteiramente da nossa vontade, tenho para mim que sem ela, nada de verdadeiramente valioso se obtém.
Então, que não nos falte a brava teimosia de nos apresentarmos à vida, a cada dia, para fazermos a nossa parte do trabalho!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sem Tempo

Nestes dias vejo-me ao espelho.
E vejo, todos os traços do tempo no território do cansaço.
Sombra sobre sombra, todas as desilusões.
E, no entanto, a criança interior que perscruta o espelho, continua tão viva e inquieta como sempre.
E assim me fica a doer, como um acorde, este contraste.
Doem-me os sonhos por viver, ainda, neste corpo finito que me transporta.
De ti, dor, quero apenas que me ensines a dançar!
A reunir todos os pedacinhos de mim, novamente, num único colar de flores.
Sem tempo. Sem traços. Sem ontem. Sem amanhã.
Enquanto houver a luz do olhar.
A verdade devolvida em todos os espelhos.


Without Time

These days, I look myself in the mirror.
And I see, every trace of time in the territory of tiredness.
Shadow over shadow, every disillusion.
Yet, the inner child who stares at the mirror, remains as alive and kicking, as ever.
And so, as an ongoing chord, this contrast aches.
And so ache the dreams yet unlived, in this finite body that carries me.
Pain, of you I ask only: teach me to dance!
To gather every little piece of me, again, in a single necklace of flowers.
Without time. Without trace. Without yesterday. Without tomorrow.
While there still is the light of a glance.
Truth returned in every mirror.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Convite


Não me interessa o que fazes na vida.
Quero saber pelo que anseias e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração.

Não me interessa que idade tens.
Quero saber se arriscas procurar como um louco, o amor, o teu sonho, a aventura de estar vivo.

Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a tua lua.
Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se foste aberto pelas traições da vida, ou se secaste e te fechaste com medo de mais sofrimento.

Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor.

Quero saber se consegues estar com alegria, a minha ou a tua, se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te preencha até às pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos alertares para termos cuidado, sermos realistas ou nos lembrares as limitações de sermos humanos.

Não me interessa se a história que me estás a contar é verdadeira.
Quero saber se consegues desapontar outra pessoa, para seres verdadeiro contigo mesmo.
Se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma.
Se consegues ser descrente e, por isso, digno de confiança.

Quero saber se consegues ver Beleza mesmo quando nem todos os dias são bonitos.
Se consegues fazer nascer da sua presença, a tua vida.

Quero saber se consegues viver com o fracasso, teu e meu, e mesmo assim, de pé à beira de um lago, gritar ao lustro da lua cheia, “Sim.”

Não me interessa onde vives, nem quanto dinheiro tens.
Quero saber se consegues levantar-te depois da noite de dor e desespero, exausto, dorido até ao tutano, e fazer o que é preciso fazer, para alimentar as crianças.

Não me interessa quem conheces, ou como chegaste até aqui.
Quero saber se permanecerás no centro do fogo comigo, sem recuar.

Não me interessa saber onde, ou o quê, ou com quem estudaste.
Quero saber o que te sustenta por dentro quando tudo o mais se desmorona.

Quero saber se consegues estar sozinho contigo mesmo e se, verdadeiramente, gostas da tua própria companhia, nos momentos vazios.



Oriah Mountain Dreamer, in “The Invitation”
Tradução livre de Carla Guiomar