segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Convite


Não me interessa o que fazes na vida.
Quero saber pelo que anseias e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração.

Não me interessa que idade tens.
Quero saber se arriscas procurar como um louco, o amor, o teu sonho, a aventura de estar vivo.

Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a tua lua.
Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se foste aberto pelas traições da vida, ou se secaste e te fechaste com medo de mais sofrimento.

Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor.

Quero saber se consegues estar com alegria, a minha ou a tua, se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te preencha até às pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos alertares para termos cuidado, sermos realistas ou nos lembrares as limitações de sermos humanos.

Não me interessa se a história que me estás a contar é verdadeira.
Quero saber se consegues desapontar outra pessoa, para seres verdadeiro contigo mesmo.
Se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma.
Se consegues ser descrente e, por isso, digno de confiança.

Quero saber se consegues ver Beleza mesmo quando nem todos os dias são bonitos.
Se consegues fazer nascer da sua presença, a tua vida.

Quero saber se consegues viver com o fracasso, teu e meu, e mesmo assim, de pé à beira de um lago, gritar ao lustro da lua cheia, “Sim.”

Não me interessa onde vives, nem quanto dinheiro tens.
Quero saber se consegues levantar-te depois da noite de dor e desespero, exausto, dorido até ao tutano, e fazer o que é preciso fazer, para alimentar as crianças.

Não me interessa quem conheces, ou como chegaste até aqui.
Quero saber se permanecerás no centro do fogo comigo, sem recuar.

Não me interessa saber onde, ou o quê, ou com quem estudaste.
Quero saber o que te sustenta por dentro quando tudo o mais se desmorona.

Quero saber se consegues estar sozinho contigo mesmo e se, verdadeiramente, gostas da tua própria companhia, nos momentos vazios.



Oriah Mountain Dreamer, in “The Invitation”
Tradução livre de Carla Guiomar

2 comentários:

Luisa Condeço disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luisa Condeço disse...

magnífico magnífico
intenso e tão verdadeiro
obrigada minha amiga