segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Em viagem



Porque é que sinto que pertenço ao âmago da floresta, ou à imensidão azul do mar?
Porque não me contento com estes lugares por onde o meu corpo vagueia, entre todos os outros?
Que visão é esta de um outro mundo por alcançar, sem caminho para lá chegar?
De onde vem esta saudade de algo que ainda não vivi, pessoas que ainda não conheci, que me esmaga o coração, que me deixa sem ar.
Na berma de um caminho, um cheiro, uma memória fugaz, me revisita.
Fecho os olhos, paro, sinto. Fica comigo!
Corro, corro, corro, dentro de mim, para dentro do mais ínfimo segundo, para te alcançar.
À volta, no cinzento das mesmas ruas de todos os dias, a cruel prisão.
Que escada posso lançar às nuvens?
Quem me colocou neste corpo, nesta vida, neste lugar… com que missão?
Aqui não pertenço.
E agora, quem me leva? Ou quem me salva de mim?
Quem sou? Quem já fui? Quem vou ser?
Dentro de mim vivem todas as cores, e cantam e chamam... por esse lugar de liberdade que vive no meu sonho.
E a viagem continua.

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