quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Inventa o teu mundo!


O pequeno inventor que tenho cá em casa ficou há dias, entusiasmadíssimo com a história de Javier, 15 anos, educado em casa, que inventou um sistema à base de algas para satisfazer necessidades energéticas e alimentares dos países mais pobres, e pelo feito, ganhou o concurso "Invent Your World" para jovens talentos, atribuído pela Fundação Lemelson.
Brilharam os olhos ao Leo, que teve a experiência feliz de ter estado também, um ano, em Ensino Doméstico, e quer, desde sempre, ser inventor. Raro é o dia em que não desenhe um novo modelo para a sua colecção de máquinas, entre as quais se destacam os seus mega-velozes supercarros, capazes de atingir números quase infinitos de kilómetros por hora.
A velocidade é, aliás, sinónimo de felicidade para o meu filho.
Lembro-me quando, aos 4 anos, o ouvi dizer para o irmão:

Sabes que há meninos muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito ricos???!!!
E eu, que estava a ouvir, perguntei: Ah sim? E como é a vida desses meninos?
Resposta dele, em tom triste: São muito pobres...
Então porquê? - perguntei.
Resposta dele - Porque não é o dinheiro que faz velocidade!

Afinal a Felicidade não deixa de ser uma espécie de Velocidade no peito...

Mas voltando à história do Javier, ficou-me sobretudo uma sua frase, que do alto dos seus experientes 15 anos, conseguiu captar uma verdade tão elementar, aparentemente inacessível a tantos "especialistas" em educação!

"Os jovens da minha idade podiam fazer mais, mas não sabem quais são as suas paixões".

O que faz a escola de hoje para ajudar os jovens a descobrirem as suas paixões?
Quanto tempo estão as crianças ocupadas a encher o intelecto com um menu variado de "conhecimentos", totalmente alheios à sua escolha, ligados e desligados entre sucessivos toques de campaínhas?
Quanto tempo têm para se mover em liberdade, para estarem em contacto com elas próprias?
Quantas aprendem a reconhecer e usar eficientemente as preciosas ferramentas com que todos nascemos: a mente, o corpo e as emoções - as únicas que podem trazer-nos verdadeiro sucesso!
Quanto tempo passam a receber instruções e quanto se lhes permite para escutarem a sua própria voz?
Quanto tempo resta para descobrirem as paixões que as movem, aquilo que torna cada uma diferente, única e especial?
E em quantos professores conseguem as crianças reconhecer essa energia, a da paixão?
Quantos jovens adultos, bem "escolarizados", estão hoje perdidos, sem terem ainda percebido quem são, nem o que querem da vida?
Quantos descobrirão na meia-idade que já passaram metade da vida a fazer aquilo que não querem, mas não sabem ainda aquilo que querem?

A "crise" é esta e mais nenhuma. Uma crise de sentido.
As verdades são simples e estão bem à frente do nosso nariz.
Tanto tempo que perde um país, e tanto país que se perde... a ouvir mais os "Especialistas" em Educação do que os "Experientes", como o Javier.

3 comentários:

A Casa Onde Vivemos... disse...

Querida Caracoleta... sonhei contigo esta noite, andavas de cabelos ao vento e queria que te tirasse muitas fotos :-) foi bom estar contigo!
Gosto muito o que escreveste neste post.
Pouco a pouco se faz a mudança; tudo tem o seu ritmo, mesmo os sistemas de educação.Graças a ti e a todos os pais que tomam a difícil decisão de serem eles a educar os seus filhos, a não encher a sua mente e o seu ego com "entulho" que os leva a perder a visão do seu potencial mais divino, em breve, o próprio sistema deixará de criar pequenos robôs que obedecem cegamente à ordem pré-estabelecida.
Até là, vamos continuar a ensinar aos nossos filhos que, quando temos a força para acreditar nos nossos sonhos, eles se tornam realidade.
Um grande abraço para ti e para os teus filhos.
...isabelle

Cacarina disse...

Olá!
Que belo texto, que bela vivência!
Não tenho conhecimento algum sobre isso, mas gosto, sinto encontro dentro do meu peito com esse olhar.
De fato devemos nos perguntar (e ousar dar novas respostas) sobre tamanho desencontro humano e tentar um novo rumo!
Um abraço,
Claudia

Luisa Condeço disse...

Querida, tão certo o que escreveste! Fico e sou feliz ao saber que o meu S tem a possibilidade de descobrir o que mais o apaixona, de ser ele a guiar um caminho e a aprender a escolher o que mais alimenta a sua alma. E isso enche o meu peito, abraço-te ;D