sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"Spiritual, not religious"

Diz-se por aí.
E eu digo aqui:
Sou espiritual, não tenho religião.
Espiritualidade rima-me com liberdade.
Religião... com escravidão.

Espiritualidade nasce sempre de dentro para fora. Não tem manual. Tem apenas o diário da minha paixão.

Religião é a domesticação da espiritualidade. Rebanhos de espíritos cercados ao entardecer, pelo pastor.
Religião é a mais primitiva industrialização, da espiritualidade.
Espiritualidade em embalagens, pronta a consumir e a competir. Cada uma traz um Deus lá dentro.
Eu descubro o que é divino, dentro de mim.
Jesus não era cristão. Era Cristo.

O meu templo está na areia dourada, lavada pelas ondas. Está na clareira do bosque, ou nos sulcos de um tronco de carvalho. Está num campo de espigas e papoilas vermelhas ao vento. O meu templo cheira a sal, ou a mato, ou ao perfume de flores.
O meu templo, encontro-o, no fundo dos olhos brilhantes dos meus filhos, inundado pelo cântico doce do seu riso.
O meu templo está sempre comigo, onde eu estiver, de portas abertas à vida. Porque ele é, tão simplesmente, o meu coração.



A minha espiritualidade é a única segurança que quero ter. A de me sentir confortável com quem sou. É a minha libertação, o céu que se sente no peito a crescer. O canto de todas as aves no meu cabelo. Amor a transbordar. Um rio transparente, cheio e fluido, que se partilha com as margens, que dança entre os seixos, que faz amor com as montanhas. Que grita nas cascatas, salta nos abismos e se renova, nas frias frestas dos rochedos. Um rio cuja força nao se contém. Pois que a felicidade é sempre aquela certeza que o mar tem, de me ver chegar.

A minha espiritualidade é a minha forma mais elevada de inteligência.
Aquela que me permite encontrar significado e sentido em tudo o que faço. Ser criativa e corajosa, perante cada desafio da vida.
É o que me inspira a ver beleza em meu redor, mesmo quando os dias não são bonitos.

A minha espiritualidade, estou a descobrir, é a minha ecologia pessoal.
É assim que o meu coração se liga ao todo.
E assim se alimenta, se sustenta e se equilibra.
Não existem Deuses nem Gurus neste meu mapa de estradas, pessoal e personalizado, para a liberdade.
Onde quer que eu esteja, estou. Inteira e incorruptível. Plenamente apreciando a viagem, aqui e agora, para sempre.

7 comentários:

Maria disse...

Olá. :)

Gosto muito do teu blog. Gosto da emoção que transborda da tua escrita. :)

Tens toda a razão. Ser-se espiritual é verdadeiro, é algo nosso... e, como não podia deixar de ser, cada um de nós vive a espiritualidade à sua maneira.

Já agora, a propósito de Espiritualidade versus Religião, o Dalai-Lama, no livro Ética para o Novo Milénio, escreveu o seguinte:

"Penso que há uma importante distinção a fazer entre religião e espiritualidade. Considero que religião diz respeito à crença numa forma de salvação específica a cada tradição, um aspecto dessa religião consiste na crença numa realidade metafísica ou sobrenatural que inclua, por exemplo, a noção de céu ou de nirvana. Ligam-se a ela os ensinamentos religiosos ou dogmas, os rituais, a oração, etc. Considero que espiritualidade diz respeito ao cuidado a ter com as qualidades do espírito humano como o amor e a compaixão, a paciência, a tolerância, o perdão, o contentamento, o sentido de responsabilidade e da harmonia, que trazem felicidade para si e para os outros. O ritual e a oração, bem como o nirvana e a salvação, estão directamente ligados à fé religiosa mas estas qualidades interiores não. Por conseguinte, não há razão para que um indivíduo não as desenvolva, mesmo num grau elevado, sem depender de qualquer sistema religioso ou metafísico. É a razão pela qual afirmo, por vezes, que talvez possamos dispensar a religião. Mas o que não podemos dispensar são estas qualidades espirituais básicas."


"Inteira e incorruptível."
Também acho que se formos capazes de nos mantermos sempre inteiros e incorruptíveis, então está tudo bem. A luta é essa: mantermos o nosso coração puro. Sermos quem quisermos ser e sonhar tudo o que nos apetecer sonhar.

:)

Cacarina disse...

Querida!
Há muitas coisas aqui que venho apreciar...
A música forte, as palavras limpas, as idéias humanas e claras.
Obrigada! Obrigada!
Um abraço,
Claudia

Banalidades disse...

Como eu gostei de vir até aqui e ouvi-la a rezar assim... Em liberdade! Adorei a sua reflexão. Emocionei-me. uma ou outra vez,as lágrimas afloraram os meus olhos porque a sua serenidade, a sua lucidez me tocaram e puseram o coração, a mente no lugar. Obrigada. Jinho grande.

Isa disse...

Carla, sábias palavras, concordo plenamente contigo! Amei teu texto, tu consegues tocar fundo na alma, que coisa linda! Um beijo, sempre, Isabel.

Carla Guiomar disse...

Maria, obrigada pela visita e pelo excelente contributo!

Obrigada a todas pela vossa presença, pelos abraços de palavras que envolvem a minhas...

Fátima, adorei a expressão, rezar em liberdade... é isso mesmo :)

jefhcardoso disse...

Olá! Não tomarei muito de seu tempo. Encontrei-o ao adentrar a lista de seguidores do “Palavras de Osho” (blog com o qual tenho me identificado). E visto o ecletismo dos seguidores deste blog, decidi divulgar o meu atual trabalho, que se trata de meu primeiro microconto “O Aparelho Digestório”. Caso se interesse e me visite, será um imenso prazer retornar a esta casa com mais tempo, atenção e calma.

Forte abraço de Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com de blog em blog
divulgando e dando o recado!

belinda disse...

Deus! Como tu escreves!!