sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Meditação para um novo ano

On this cold winter day, may the light of pure love warm up our souls, and shine through the confusion of our lives, as pure love is our true nature and our greatest source of wisdom.

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Neste dia frio de Inverno, que a luz do amor puro aqueça as nossas almas, e brilhe através da confusão das nossas vidas, pois o amor puro é a nossa verdadeira natureza e a nossa maior fonte de sabedoria.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Escolhas

Há uns tempos atrás, numa formação em que me encontrava, uma colega partilhou com o grupo, o seu desassossego relativamente às escolhas que temos que fazer na vida... como saber qual a escolha certa?... perguntava ela. E daí partiu esta minha reflexão.


Todos os dias somos confrontados com a necessidade de escolher. Desde o que vamos comer ao pequeno-almoço ou que atitude tomar perante uma situação que nos incomoda, onde investir os nossos recursos mais preciosos, o nosso tempo, o nosso dinheiro, a nossa energia?
Certamente que há escolhas mais técnicas, no nosso dia-a-dia, como a escolha de um bem material ou de um serviço, para responder a uma necessidade prática. Mas há também as escolhas que têm o potencial de causar um maior impacto na nossa vida, e que se podem apresentar de forma mais evidente ou mais subtil. E neste último caso, é importante percebermos que podemos escolher, apercebermo-nos das opções à nossa frente. Mesmo quando nos sentimos encurralados, sem opções... ainda assim, podemos escolher como nos sentimos e transformar a nossa realidade.
Todos sabemos também quão difícil, por vezes, é escolher. Quantas vezes ficamos perdidos entre as nossas próprias percepções daquilo que podemos ganhar e daquilo que podemos perder, como resultado das escolhas que fazemos?
Gerir o poder de escolha, com todas as suas implicações criativas e espirituais, é essencial à experiência humana. A evolução da humanidade desenha-se numa rede de escolhas interdependentes desde o início da nossa história. A escolha é o processo de criação em si. Que mecanismos estão por trás das escolhas que fazemos e que grau de consciência temos dos mesmos?
Nunca conhecemos totalmente o desfecho de uma escolha que fazemos. Há sempre uma componente de imprevisibilidade, de cenários que não podemos controlar. Mas também perante essa incerteza e imprevisibilidade, novamente é nossa a escolha de que atitude queremos tomar.
O que é então uma escolha certa? Como se mede a qualidade de uma escolha? Que critérios poderemos usar?
Será que faz sentido avaliarmos se uma escolha é certa ou errada pelo desfecho da mesma, avaliado a posteriori? Se assim for, nunca poderemos responsabilizarmo-nos totalmente pela qualidade das nossas escolhas, pois não podemos controlar inteiramente o desfecho... Em cada momento, fazemos uma escolha com base na melhor informação disponível e na nossa entrega consciente, honesta e humilde, à análise dessa informação e à atribuição de um sentido à nossa escolha. Por mais trivial que a escolha possa parecer, este processo, podendo ser mais simples ou mais complexo, mais rápido ou mais demorado, está sempre ao nosso alcance. É ele que marca a nossa individualidade e a nossa presença e expressão única no mundo.
Uma escolha de vida enraíza-se profundamente na nossa intenção, nas razões do nosso coração para seguir um caminho. Só podemos conhecer a nossa intenção, se conseguirmos escutar a nossa voz interior. Afastar todo o ruído que nos rodeia, que se dispõe à nossa volta em camadas, na forma de opiniões, condicionamentos, preconceitos, todas as formas de poder externo que inconscientemente aceitamos. A qualidade de uma escolha está directamente ligada à qualidade da intenção que está na base da mesma. Quanto mais pura e autêntica é a intenção que nos move numa escolha, estaremos mais preparados para aceitar e compreender as consequências.
Que razões nos levam a escolher A ou B? No total silêncio, em total honestidade, conseguimos escutar as reais motivações que nos impelem para uma decisão? Que energia nos domina, o medo ou o amor? Estamos perante uma escolha de medo ou uma escolha de fé? Estamos perante uma fuga a algo que gostaríamos de evitar mas que precisamos enfrentar ou inspira-nos um sonho, uma visão? A escolha que estamos prestes a fazer está alinhada com o nosso sistema de valores? Respeita o nosso plano de vida, a nossa ética pessoal, as nossas prioridades?
Quantas vezes pensamos que estamos a escolher, quando na verdade a escolha é feita por alguém ou algo, a quem nós entregamos o poder de fazer essa escolha. Seja porque nos julgamos incompetentes, porque temos medo, porque procuramos quem se responsabilize por nós. Mas quando entregamos essa responsabilidade, entregamos também a nossa liberdade.
O que é que está, efectivamente, ao nosso alcance controlar ou influenciar? Aquilo que mais ninguém pode fazer por nós. O grau de consciência que temos da nossa verdadeira intenção: a intenção da nossa alma. Alinhar as nossas escolhas terrenas, com um sentido maior, o propósito da alma, a parte de nós que é eterna, significa deter poder autêntico nas nossas vidas e assim, a capacidade de influenciar positivamente o nosso destino.
Todos temos desejos, sonhos, valores, vontades... mas é em cada decisão, e sobretudo, na coerência e consistência das nossas várias decisões, que criamos a nossa realidade, e inspiramos também a criação da realidade dos outros à nossa volta.
Gerir a autenticidade das nossas escolhas é uma importante responsabilidade, não a única, mas certamente, pessoal e intransmissível.