sábado, 5 de janeiro de 2013

A ganhar!


Nisto de ganhar ou perder... e do nosso estado de alma... recordo-me sempre dos meus tempos de apaixonada atleta de competição de voleibol e de um fenómeno que sempre me intrigou… A minha equipa perdia muitos jogos… apesar de tecnicamente não sermos inferiores ao adversário… muitas vezes estávamos a ganhar com grande vantagem, e a equipa adversária ganhava a posse de bola… fazia um ponto… vá lá, vamos virar isto… fazia dois… nós ainda a ganhar bem, mas a confiança começava a abalar-se… mais um ponto e começamos a ver o filme do jogo a escorregar-nos das mãos… não queríamos pensar assim, mas era mais forte que nós, 6 jogadoras preocupadas, mais umas no banco... todas a pensar no mesmo, mesmo que as nossas palavras gritadas em campo fossem de puxar pela vitória, a energia que nos contagiava era de derrota, mesmo o resultado ainda estando a nosso favor… Na verdade, se pararmos o filme, congelarmos o tempo e observarmos o resultado… estamos a ganhar… então porque deixámos de acreditar? Porque a nossa mente não consegue parar no presente… compara com o passado, tenta prever o futuro… mas não pára no presente… está sempre a fazer histórias, a ver filmes… e tende a focar-se mais no pouco que perdeu do que no tanto que ainda tem.

E há quem passe uma vida inteira sem conseguir perceber isto… e escapar desta armadilha, desta ilusão.

Na verdade, estamos a ganhar. Se estamos vivos, estamos a ganhar. E se estamos vivos, temos saúde, familiares e amigos que amamos, coisas que gostamos de fazer, não nos falta o que comer ou vestir… então... estamos a ganhar com uma grande vantagem!… Porque não conseguimos parar o filme e apreciar este momento, aqui e agora, com gratidão?

Passamos muitos anos a estudar na escola, na universidade, a treinar no ginásio, para sermos fortes, inteligentes, bonitos... mas raramente aprendemos a habilidade mais importante... treinar a mente, para sermos simplesmente felizes! Porque é a forma como a nossa mente funciona que determina a qualidade de cada instante das nossas vidas.

Vamos aprendendo, uns mais do que outros, nas entrelinhas da vida, de todas as experiências, sobretudo as  que nos provocam mais dor. Mas é uma aprendizagem quase casual... em função de um certo percurso de vida... e feita tantas vezes em contra-corrente... tantas vezes em solidão e silêncio. Há culturas onde essa aprendizagem é muito mais valorizada e proporcionada de forma consciente, e natural desde cedo na vida... culturas onde se pratica e ensina a meditação, o cultivo da calma interior, um sentido contemplativo da vida. Já na sociedade moderna materialista em que a maioria de nós vive... as experiências que abundam, incluindo a grande generalidade das experiências 'educativas' formais, são sobretudo distractoras dessa aprendizagem preciosa. Não são orientadas para desenvolver verdadeiro poder pessoal. Nesta cultura a maioria das pessoas é facilmente arrastada por tudo o que se passa no exterior de si mesmas. São emocionalmente muito vulneráveis à variação das condições exteriores. Eu vejo isso nas pessoas quando as cumprimento e desejo um bom ano, as respostas são invariavelmente trejeitos de desânimo, focadas na crise, no ano terrível que aí vem, numa resignação relativamente a algo que não podem controlar, que as faz sentir impotentes. E por isso acho importante lembrar que há um território magnífico e poderoso, que só nós controlamos, e que pode fazer toda a diferença, e que é a nossa mente. Quando mudo a minha mente, mudo o meu mundo. E não será assim também que se muda um país?

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