sexta-feira, 8 de março de 2013

Adeus



Deixa-me, ainda, adivinhar
no teu rosto, um esboço meu
na expressão, no movimento
do meu corpo, um complemento.
Deixa-me, ainda, descobrir
no teu líquido olhar
o meu pranto a ondular
e na tua voz, o meu murmurar.
Deixa-me, ainda, procurar
na brevidade de um instante
no teu, o meu semblante
e em tudo em ti, me rever
se ainda o tempo não raptou
do teu, o meu ser.
Então, depois, irás...
sem nunca olhar para trás
sob os teus passos, os meus
lentos, leves, pedaços
do meu caminhar no teu
a atrasar o adeus.

sexta-feira, 1 de março de 2013

É o fim.


É o fim, é o fim, é o fim.
E tudo começa assim,
sem menos, sem mais,
sem uis, nem ais.
É o que tem que ser.
Nada mais a fazer,
hesitar ou temer.
Sem esperar ou esperança,
sente o medo e avança.
Agora aqui bem quieta,
está a linha da meta.
Surge debaixo do chão,
das tripas, do coração.
Respira, pausa... ação!