sexta-feira, 8 de março de 2013

Adeus



Deixa-me, ainda, adivinhar
no teu rosto, um esboço meu
na expressão, no movimento
do meu corpo, um complemento.
Deixa-me, ainda, descobrir
no teu líquido olhar
o meu pranto a ondular
e na tua voz, o meu murmurar.
Deixa-me, ainda, procurar
na brevidade de um instante
no teu, o meu semblante
e em tudo em ti, me rever
se ainda o tempo não raptou
do teu, o meu ser.
Então, depois, irás...
sem nunca olhar para trás
sob os teus passos, os meus
lentos, leves, pedaços
do meu caminhar no teu
a atrasar o adeus.

1 comentário:

Susana Cheis disse...

Palavras tão bonitas! Gosto tanto de te ler!